Pós-Jornalista?

25 09 2013

Ontem li a entrevista com André Deak, no blog Newsgames da Super Interessante sobre a crise do jornalismo e as novas formas de sobrevivência da práxis profissional. Essa foi a primeira vez que me deparei com a expressão pós-jornalista. A definição do termo deixo com o próprio entrevistado:

Que a definição tradicional de jornalista não me representa, mas jornalismo foi minha formação, então é difícil pensar fora da esfera da informação a serviço do interesse público. […]  Jornalistas que trabalham com bases de dados, ou que são “repórteres-multimídia”, ou que são empreendedores. Mas também os que trabalham com redes sociais ou que programam, ou ainda pensam e fazem newsgames.

A partir dessa concepção, o argumento é de que não existe mais habitat para a sobrevivência do jornalismo no modelo em que nós conhecemos.

Nada disso me incomoda: crise de paradigmas, reinvenção, fim de modelos, obsolescência de técnicas e tecnologias… O que me deixa incomodado é a própria expressão “pós-jornalista”. Ela, me parece, carregar o fim da profissão jornalística e, pior, da função de jornalista. Não consigo consigo ver tantas diferenças em um profissional da redação para o perfil apresentado acima. O pós-jornalista não deixa de carregar os valores de veracidade, clareza textual, credibilidade, e, como o próprio Deak afirmou, “informação a serviço do interesse público”. Acredito que expressão poderia ser melhor traduzida como jornalista-pós-modelo-industrial, ou jornalismo-pós-industrial.

Com essa pequena reflexão quero inaugurar uma série de posts que analisem o caminhar (no escuro) traçado pelo jornalismo. E, quem sabe, junto com vocês leitores clarear um pouco mais esse cenário e enxergar um pouco além. Por isso, peço o comentário de vocês para começarmos este diálogo; A partir daqui quero falar de Mídia Ninja, Jornalismo Cidadão, Redes Sociais, Web 3.0, Hackeabilidade.

O JORNALISMO NÃO VAI ACABAR! O que pode acabar são as empresas jornalísticas.

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2 responses

25 09 2013
Felipe

Concordo que o conceito clássico de jornalista (se é que existe) não dá mais conta da atualidade. Também não sei se jornalista-pós-modelo-industrial ou jornalista-pós-industrial seria válido. Primeiro porque o jornalismo industrial não teve seu fim. Ainda. E duvido que terá a curto prazo. Mas uma coisa que me incomoda desde a época da faculdade é que não existe apenas um tipo de jornalismo. Então não existe apenas um tipo de jornalista. Vários jornalismos podem se sobrepor, assim como vários tipos de jornalistas também podem habitar um mesmo território. Estudei jornalismo empresarial no TCC e defendi que é tao jornalismo quanto o praticado em um veículo tradicional. Acho que não precisamos dar um novo nome, mas talvez aceitar um conceito mais abrangente.

26 09 2013
Thiago

Acredito que a forma de ser no mundo e as aptidões necessárias para a prática jornalística estão mudando gradativamente, mas os valores profissionais permanecem. Os veículos sobreviverão,mas não serão mais consumidos massivamente, se é que alguns ainda são consumidos massivamente.

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