Violência bate a sua porta

19 10 2009

Tentativa de assalto em velório, na Nova Brasília

Jovem é assassinado no domingo a tarde, no meio da rua, em Cordeiros

Professor universitário é sequestrado e assaltado por dois menores de idade

Detenta grávida foge do Hospital Marieta

Caminhoneiro é sequestrado em frente ao Porto e tem mercadorias roubadas

Basta sentar na mesa para almoçar e sentir medo. Nos últimos dias, venho comendo acompanhado de diversas notícias de violência. E não adianta colocar a culpa na mídia que explora a violência, não! A cidade de Itajaí está cada dia mais perigosa e o sentimento de risco tomou conta dos moradores.

Esses fatos tem uma conexão: a má administração das políticas públicas na área da segurança. Em uma cidade do tamanho de Itajaí não é possível aceitar que a construção do presídio fique tanto tempo parada, que o Centro de Internamento Provisório seja entregue em condições tão precários. Que Itajaí tenha um efetivo tão reduzido de Policiais Militares e Civis. Enquanto as autoridades brincarem de polícia e ladrão, Itajaí padece por violência.





Volnei Morastoni, Operação Influenza e as Eleições de 2008

6 07 2009

Observação

Este texto é uma análise pessoal do autor, acadêmico de jornalismo, blogueiro e estudante. Decompondo os fatos e as possibilidades, chego a uma conclusão. O cenário político redesenhado pelo autor é baseado em suposições de comportamento eleitoral e social, nada tem a ver com previsões futurísticas. Peço desculpas pelo texto gigante, mas é fruto de muito pensar.

Influenza e Iceberg

As provas que foram recolhidas pela Polícia Federal para serem usadas na Operação Influenza, deflagrada no dia 20 de junho de 2008, foram consideradas ilegais. A juíza federal Ana Cristina Kramer analisou as escutas telefônicas e as considerou impróprias. Com isso, não existe prova contra os acusados. Mas, isso não quer dizer que não houve crime.

Mesmo assim, os acusados podem se considerar aliviados. Sendo assim, Volnei Morastoni, ex-prefeito de Itajaí, também entra na lista dos aliviados com a decisão judicial. Morastoni não foi investigado, não fazia parte dos supostos esquemas no porto, mas teve seu secretariado atingido e a imagem associada aos suspeitos.

É importante destacar, também, que os delegados da Polícia Federal, Roberto Mário da Cunha Cordeiro e Airton Rogério Takada, e o juiz Paulo Afonso Sandri, responsáveis pelas investigações, foram convocados para deporem na CPI dos grampos ilegais.

As eleições de 2008

Nas eleições, a vitória de Jandir Bellini foi certeira. Todas as pesquisas de opinião apontavam para um cenário oposicionista e assim se fez. Volnei Morastoni foi derrotado, cometendo vários erros estratégicos, mas a Operação Influenza teve contribuição direta para sua derrota.

O prefeito de Itajaí tinha seu governo aprovado por mais de 50% da população. Mas a imagem de Volnei era ruim, 30% de rejeição. Como explicar? O vereador e deputado estadual Volnei José Morastoni sempre teve a imagem de fiscalizador implacável do executivo. Médico trabalhador, homem honesto. No início do ano eleitoral, o cidadão itajaiense lê nos jornais algo incompatível em relação ao petista. O grupo do prefeito Morastoni envolvido em investigações da Polícia Federal. A imagem construída durante anos de vida pública é arruinada em poucos dias. O eleitor passa a rejeitar Volnei, afinal, o eleitor julgava que sua boa imagem era apenas marketing político.

A imprensa de Itajaí teve muito o que noticiar. Fartas denúncias ao governo municipal, as manchetes estouraram em todo país. A relação entre governo e mídia, que era de grandes investimentos, caminhou, ao longo dos quatro anos, para uma guerra. Volnei Morastoni desafiou o Diarinho do Litoral. Dias antes da eleição, tentou impedir a impressão do jornal que trazia na capa a Operação Influenza, mais uma vez. Desafiou o popularesco Denísio Dolásio Baixo ao vivo em seu programa da teve Brasil Esperança. Aos poucos, toda a imprensa se uniu para desmantelar o valente Morastoni. Conclusão, carnificina eleitoral.

Espetacularização e Sociedade do Espetáculo

Agora, mais de um ano depois das Operações Influenza e Iceberg, é fácil observar que Volnei Morastoni e seu grupo político foram vítimas e não criminosos. Digo isso, porque a Polícia Federal espetaculariza as suas operações. Para mostrar eficiência exagera em algumas estratégias de ação.

Não quero dizer, que a Polícia Federal não tem direito de grampear os telefones. Pelo contrário, se houver autorização judicial, é justo e necessário esse tipo de investigação. Porém, algemou, prendeu e humilhou chefes de família e homens públicos sem necessidade. E qual o resultado dessa ação? As provas foram consideradas ilegais e sobrou apenas a desmoralização dos envolvidos e da própria investigação.

Vivemos nessa Sociedade do Espetáculo, conceito de Guy Debord que afirma que a realidade se transforma em espetáculo e o espetáculo em realidade. Ou seja, nesta sociedade onde a novela parece real e o noticiário uma mentira, muitas vezes não conseguimos diferenciar do que é verdadeiro e do que não o é.

O caso mais emblemático dessa campanha foi a publicação das supostas escutas telefônicas. Áudios na internet, vídeos no You Tube traziam as conversas de Volnei Morastoni e Normélio Weber, secretário de Comunicação Social. Uns diziam ser verdade, outros imitação. Assim também ficou divulgado o vídeo de Jandir Bellini falando da barragem. Militantes vermelhos chegaram a fazer um funk com a frase; “Rompeu porque era para romper”. Real e fantasia se misturaram num grande circo.

A História responderá

É certo que os números da eleição de 2008 em Itajaí seriam diferentes. Já não se pode afirmar que Volnei Morastoni seria reeleito. Afinal, sua campanha falhou na estratégia de vincular sua imagem ao Governo Federal e Estadual. Assim também, como a campanha popular de Jandir Bellini foi muito bem arquitetada. As operações da Polícia Federal são duas variáveis nessa história.

A eleição para deputado estadual está chegando. Volnei Morastoni deve ser o candidato petista. Acredito na sua vitória para a Assembléia de Santa Catarina, mas não posso dar a proporção dessa conquista. Morastoni errou em se demonstrar vingativo e em não ter aceitado o resultado das urnas. Fidel Castro, grande líder da esquerda, deveria ter emprestado a Volnei sua grande frase: “A história me absolverá”. Talvez os estragos teriam sido menores.





A Mídia que Sifu

15 12 2008

de Emir Sader
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Crise faz despencar popularidade de Lula” – a manchete do Diário Oficial Tucano (DOT), a FSP (Força Serra Presidente), estava pronta. O editor-chefe encomendou nova pesquisa de opinião, menos de dois meses antes da anterior, para constatar os evidentes desgastes na imagem do presidente com a crise e, principalmente, com o clima de pânico e pessimismo que a mídia privada – e em especial, o DOT – tinham disseminado. Como toda pesquisa fabricada, não se pesquisava a popularidade de Lula, mas a eficácia da campanha de desgaste que a mídia oligárquica tinha desatado. Alardeia-se todo o tempo OMO LAVA MAIS BRANCO e se contrata pesquisa para conferir a efetividade da lavagem de cérebro.
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Tudo pronto, convocados os zelosos funcionários tucanos da página dois, os chamados “especialistas” – disfarce tucano-fernandohenriquista – para comentar, tudo pronto para explorar a queda irreversível do apoio a Lula.
CRISE FAZ DESPENCAR POPULARIDADE DE LULA.
Ou: LUA DE MEL DE LULA TERMINA DEFINITIVAMENTE.
Sub-título: Serra se diz pronto para enfrentar a crise.
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Economistas tucanos: Só volta das privatizações pode salvar o Brasil. Faltou combinar com o povo brasileiro. Mais uma vez “o povo derrotou a opinião pública” fabricada pela mídia privada. 70% de apoio, 6% a mais que na ultima pesquisa, depois da intensa campanha propagandística contra o governo. Crescimento em todos os setores – nível de renda, nível de escolaridade, região do país, tudo, tudo, pior não poderia ser para a FSP e a direita brasileira. Conseguiram apoio de apenas 7% de rejeição a Lula, com tudo o que gastaram na campanha. Contra eles, 93%. O resultado os surpreendeu tanto que no mesmo dia da publicação da pesquisa, ninguém teve nada a dizer, nenhum comentário, luto fechado.Foram necessárias 48 horas para encontrar palavras que dessem conta do incompreensível para as mentes tucanas dos jardins paulistanos. Depois da ressaca, das doses de uísque para consolar, o jornal sai todo sem graça, buscando razões que a própria razão desconhece, esfarrapadas, para consolar o inconsolável, depressivo e sorumbático chefe que os havia convocado para mais uma batalha serrista. Pensaram em títulos como:
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POVO AINDA NÃO PERCEBE A CRISE.
Ou: DEMAGOGIA LULISTA ESCONDE A CRISE.
Ou ainda POVO BRASILEIRO, IGNORANTE, MERECE LULA E A CRISE.
Ou, como teria sugerido um funcionário casado com uma tucana ou outro, casado com um tucano: FHC: LULA ENGANA OS BRASILEIROS.
Subtítulo: Ex-presidente sugere que FSP publique, Max Weber em fascículos, embora creia que é biscoito muito fino para a plebe.
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Pensaram em declarações da sua galera, como:Gilmar Mendes: Supremo vai questionar resultado da pesquisa. Fiesp: Pessimismo empresarial ainda vai vingar.Gianotti: Leitura de Wittgenstein permite perceber que Lula está condenado pela Lógica. Assim age um jornal de rabo preso com os tucanos e, através deles, com a elite branca, milionária, um intelectual orgânico das elites dominantes brasileiras internacionalizadas. Editorial para xingar Lula, carta de leitor indignado com a realidade, um colunista diz que o desgaste de Lula ainda está por vir, não custa esperar, um “intelectual” tucano repete a mesma coisa, um psicanalista diz que o povo gosta de fugir da realidade. Agora é fazer logo outra pesquisa, quem sabe alguma oscilação no apoio a Lula, quem sabe aumentar a dose do pânico, talvez mandar embora essa equipe de funcionários incompetentes, talvez outra dose de uísque”.
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Talvez lobotomizar a equipe, não, sai muito caro, talvez subcontratar uma equipe “mais jovem e flexível”, cujas cabecinhas já vêm em branco, nas quais se pode inscrever qualquer merda, afinal, eles não têm memória do passado, tanto quanto ideais/esperanças/aspirações futuras.
Pois é, uma elementar aula de mídia que literalmente – parafraseando o presidente – sifu.





Nível dos rios começa a baixar

25 11 2008
Boa notícia para a população de Itajaí. O nível dos rios vem baixando nas últimas horas. A tendência, apesar da chuva, é melhorar a situação em algumas regiões menos atingidas. As luzes foram reacendidas 24 horas depois de cortadas. Medida bem pensada, pois apenas uma faixa do porto de Itajaí até o bairro São João tinham o fornecimento de energia elétrica. As demais regiões estavam em completa escuridão e marginais estavam saqueando as casas e estabelecimentos comerciais.
O apresentador Denísio Dolásio Baixo está prometendo derrubar o muro da nova área do porto municipal. O paredão está represando toda água e impedindo que escoe para o rio Itajaí-Açu.




Protesto Relâmpago

19 11 2008

Márcio Ferreira, o palhaço Pimpolho, prendeu seu pescoço com uma corrente ao mastro da bandeira municipal, em frente a Prefeitura de Itajaí. O palhaço protestava contra o impedimento de exercer sua atividade como propagandista. Márcio não tem alvará, muito menos a licença especial para trabalhar com a sonorização publicitária. A palhaçada que começou por voltas das 11 horas da manhã, acabou no início da tarde, quando alguns auditores fiscais do município convenceram o aparecido a se soltar e sair dali. Diário de Hermes conversou com Márcio, ele alega estar disposto a pagar os impostos e taxas necessárias e que deseja apenas trabalhar. O palhaço queria mesmo era armar um grande circo, tinha a intenção de atrair as emissoras de televisão local, sem sucesso.





Estou cansado com essa história de Eloa

24 10 2008
Não vou escrever mais uma linha sobre “fatos novos” desse caso de seqüestro em Santo André. Se você está procurando desdobramentos sobre esse fato, entrou no blog errado. Procure a globo.com, eles têm tempo e dinheiro para gastar com isso. O que me faz escrever sobre o assunto, é minha reprovação quanto a cobertura da mídia e a vulnerabilidade das pessoas.
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Um grande circo foi montado no interior paulista. O polícia com os efeitos especiais. O namorado e seqüestrador como vilão. Duas garotas suburbanas foram as mocinhas. A mídia é a dona do picadeiro e os repórteres são os apresentadores. E o palhaço? Todos aqueles que passaram horas assistindo a tudo isso e continuam se “comovendo” com mais essa história. Você faz parte da massa que é manipulada pela mídia e concorda com tudo que é agendado por ela. (Já falei sobre Agenda Setting em outro post.)
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Se você acompanhar comigo os fatos garanto que terá outra visão do “caso Eloa”:
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1- Eloa, e provavelmente sua amiga Nayara, não tem nada de donzela indefesa. Com 12 anos de idade, já namorava, brincava de médico e muito mais.
2- Estão descobrindo agora que a família de Eloa tem ligações estreitas com o crime. Outro ponto que não ajuda a construir a visão benevolente da garota.
3- Nayara voltou ao apartamento, porque queria fama. Não é atoa que pediu a visita do jogador de futebol Alexandre Pato. A morte da amiga, nessas sircunstâncias, é secundário.
4- Lindemberg foi ao apartamento por vingança. Sabia que Eloa já tinha outro namorado, poucos meses depois da separação. O rapaz queria mesmo é matar a ex e o seu namoradinho, que não estava no apartamento porque teve problemas intestinais.
5- O seqüestrador, por culpa da mídia (que até o entrevistou por telefone), estava se sentindo “o rei do gueto”. Mostrou camisa do seu time de futebol e muito mais.
6- O caso foi transmitido ao vivo por todas as emissoras. Você não viu nenhuma semelhança com o Big Brother? Deviam ter dado o número de telefone para você votar no final da história que mais lhe agradava. Assim como no Você Decide, lembra desse programa da Globo?
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Então, por favor, Eloa não me digam que essa garota é martir! Martir é alguém que morre por ideais maiores do que a si próprio. Afinal, o que representa Eloa na sociedade brasileira para receber aplausos de centenas de populares (são populares mesmo!)? Você se comove? Pois devia ficar comovido com as crianças que morrem de fome no Brasil, com as garotas de 15 anos que querem estudar e são obrigadas a trabalhar.
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Você caiu direitinho no maniqueísmo tramado pela mídia. Lindemberg agiu errado, merece a cadeia. Assim como outros bandidos que praticaram crimes parecidos. Aliás, seqüestrar e matar não tem nada de hediondo. Daqui a alguns dias a sua vida continua, o seu sentimento mesquinho de piedade vai passar e ninguém mais vai saber quem foi Eloa. A mídia vai descobrir outra história que seja boa de ser vendida e você vai novamente se emocionar e comprar uma briga que não é sua. Talvez alguns se lembrem dela na retrospectiva de final de ano, mas é só.
Ao invés de se ocupar com a vida dos outros, leia um livro. Ou visite mais o Diário de Hermes.







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