Desde a semana passada, não se fala em outra no meio político, entre comentaristas e metidos de plantão (como é o meu caso): Marina Silva – ex-ministra do Meio Ambiente de Lula e senadora petista pelo Acre - pode ser candidata à presidente do Brasil. Para você que não ouviu nada sobre o assunto, vou logo avisando que Lula não desistiu de Dilma Rousseff, infelizmente. A proposta foi feita pelo Partido Verde.
No final do mês de junho, a alta cúpula do PV procurou Marina Silva para uma reunião. Nesse encontro os verdes apresentaram a proposta de candidatura da ex-ministra e uma pesquisa apontando 12% de tendência eleitoral para a ambientalista. É o que informou a colunista Mônica Bergamo da Folha de São Paulo no início deste mês.

Mesmo estando filiada ao PT, Marina Silva é pré-candidata do Partido Verde.
A senadora pretende avaliar a proposta, mas a simples cogitação já causou grande furor. Na internet já existem um fórum a para a discussão: Movimento Marina Silva Presidente. Contudo, a senadora sequer saiu do PT. Mesmo com a incerteza, Marina Silva já causou um grande barulho, por isso é necessário analisar a real viabilidade dessa candidatura.
Alguns pré-requisitos a ex-ministra de Lula é aprovada com louvor. Marina Silva tem uma biografia invejável, irretocável. Sua militância ecológica é reconhecida mundialmente em diversos prêmios e participações em eventos. Seu nome é lembrado por muitos brasileiros, já que ocupou a cadeira do ministério do Meio Ambiente por mais de 5 anos. Além disso, o Partido Verde é, pelo menos ideologicamente, o partido mais compatível com sua militância. Na prática, claro, o PV é outra coisa. Mas isso não é o foco da questão.
Eleitoralmente, a análise é outra. Lembrem-se do caso de Ulysses Guimarães, um excelente candidato a presidente em 1989, vexatoriamente recusado pelas urnas. Assim também pode ser o caso de Marina. Ela entraria em uma disputa bipolarizada, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Roubaria os votos do indignados com o poder, daqueles que apostam na novidade, na mudança. Deixaria aleijada a candidatura petista, afinal, Marina Silva é histórica militante petista e ideologicamente mais próxima de Rousseff do que de Serra. Isso sem falar no fator feminista na conquista do voto. Apesar disso, com a atual tendência eleitoral a senadora acreana ficaria em terceiro nas urnas e apenas provocaria um segundo turno já esperado. Sem uma campanha agressiva, verdadeira e com identidade a ecologista pode sofrer do mesmo mal que Cristovam Buarque (PDT) em 2005. Cristovam tinha uma boa imagem, boas propostas, mas uma campanha sem cor, sem impacto. O candidato da educação amargou o quarto lugar.
Ainda faltam muitos meses até o início oficial das campanhas, mas Marina Silva não pode reclamar por falta de apoio. Sua suposta candidatura vem repercutindo na mídia e ganhando corpo entre os eleitores. Outra peculiaridade que marcará essas eleições de 2010 será a força feminina na disputa presidencial. Poderá sair das urnas uma Angela Merkel? Ou uma Michele Bachelet? Ou, pelo menos, uma Hilary Clinton.
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