Cuecão vermelho, mano! Suplicy e a brincadeira de Sabrina Sato do Panico

21 10 2009

Depois da polêmica de Clodovil Hernandes e Carolina Dieckman com as sandálias da humildade, do sucesso de Zina e seu “Ronaldo!” e outros casos de muita polêmica, a bola da vez do programa Pânico é a cueca vermelha de Eduardo Suplicy. O senador mais simpático e receptivo com os programas de humor de toda a república está em apuros. Suplicy pode ser julgado pela Comissão de Ética e Decoro Parlamentar por desrespeito à casa. Francamente…

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Como se nos últimos meses, o Senado merecesse algum respeito. Sob denúncias, escândalos, xingamentos e impunidade a casa se mantém. A atitude de abrir processo contra Suplicy mostra a falta de compromisso com as questões que realmente interfiram na realidade do povo. Com uma oposição deslocada e impotente contra a popularidade de Lula, restou-lhes o ataque contra figuras emblemáticos do Partido dos Trabalhadores.

É importante destacar, que o senador Eduardo Suplicy tem uma grande história no Senado Federal. Um parlamentar ativo, representante e sempre muito irreverente. Quem não lembra da vez em que declamou a música dos Racionais MCs? (Assista no You Tube) Ou do cartão vermelho para José Sarney? (Veja aqui) Isso sem falar nas diversas participações em programas de humor como o próprio Pânico e o CQC.

Enquanto alguns senadores e a mídia perdem tempo “combatendo” a sátira e o bom humor, grandes questões nacionais ficam condenadas ao segundo plano.





Carnificina no Senado Federal

26 08 2009

“O Senado já sofreu desgaste incomensurável com o arrastar dessa situação. A Casa está paralisada há meses. As grandes questões nacionais não são discutidas. Parlamentares e partidos políticos estão derretendo frente à opinião pública. Ainda não conseguimos votar uma proposição importante neste segundo semestre no Plenário do Senado e não se vislumbra como será possível isso acontecer enquanto não for resolvida a questão relativa ao presidente José Sarney.” Senador Eduardo Suplicy (PT-SP)

O árbitro Suplicy (PT) distribui carão vermelho no Senado e se exalta.

Exaltado, senador Suplicy dá uma de árbitro.

Ontem a noite, o plenário do Senado foi, mais uma vez, palco de discussões exaltadas. Novamente, o assunto era a renúncia de José Sarney. (As discussões entre Simon, Calheiros e Collor e Jereissatti e Calheiros estão aqui) Dessa vez o clima tenso foi instaurado (pasmem!) pelo senador Eduardo Suplicy (PT) e o senador Heráclito Fortes (DEM).

Suplicy utilizou a tribuna para pedir o afastamento de Sarney utilizando um símbolo popular do futebol brasileiro: o cartão vermelho. Descontente, Heráclito Fortes discordou do petista que gritava ao senador piauiense e mostrava-lhe o cartão vermelho. (Assista o vídeo abaixo)

A cada discussão, a cada arquivamento de processo, a cada denúncia os senadores vão praticando auto-flagelo. O Senado parece encarnar um campo de batalha onde não há vencedores. Verdadeira carnificina, derramamento de sangue inútil. É evidente o desgaste público da instituição e das figuras que ali se confrontam.

Com toda essa guerra firmada, muitos perderam. Renan Calheiros perdeu o respeito ao pronunciar palavras de baixo calão. Aloísio Mercadante perdeu a convicção depois de ter voltado atrás. O presidente Lula perdeu a compostura quando pressionou Mercadante. Eduardo Suplicy perdeu a tranquilidade, sua marca inseparável. Artur Virgílio perdeu a oportunidade de ficar calado e por pouco não caiu em uma nova sequências de acusações. Fernado Collor perdeu o oxigênio quando discutia ofegante com Pedro Simon. Por fim, Sarney. Pois é, José Sarney não perdeu nada. Permanece na presidência do Senado e seus parentes continuam empregados. No máximo, Sarney perdeu a vergonha na cara. Ou melhor, nem isso, porque a vergonha na cara ele já deve ter perdido há muito tempo.

Solução para o Senado

Os nobres senadores não tomaram consciência daquilo que é realmente necessário para melhorar a imagem do Senado Federal. Ao invés da carnificina praticada nos últimos meses, onde cada um ataca seu opositor e assim todos vão para o mesmo, cada um devia olhar para si e cortar na própria carne. É custoso cortar a si mesmo, mas muitas vezes necessário. Necessário cortar aquilo que faz parte de si, do seu mandato, da sua regalia, do seu poder.





Marina Silva, uma terceira via viável?

11 08 2009

Desde a semana passada, não se fala em outra no meio político, entre comentaristas e metidos de plantão (como é o meu caso): Marina Silva – ex-ministra do Meio Ambiente de Lula e senadora petista pelo Acre - pode ser candidata à presidente do Brasil. Para você que não ouviu nada sobre o assunto, vou logo avisando que Lula não desistiu de Dilma Rousseff, infelizmente. A proposta foi feita pelo Partido Verde.

No final do mês de junho, a alta cúpula do PV procurou Marina Silva para uma reunião. Nesse encontro os verdes apresentaram a proposta de candidatura da ex-ministra e uma pesquisa apontando 12% de tendência eleitoral para a ambientalista. É o que informou a colunista Mônica Bergamo da Folha de São Paulo no início deste mês.

Mesmo estando filiada ao PT é a grande pré-candidatura do Partido Verde

Mesmo estando filiada ao PT, Marina Silva é pré-candidata do Partido Verde.

 A senadora pretende avaliar a proposta, mas a simples cogitação já causou grande furor. Na internet já existem um fórum a para a discussão: Movimento Marina Silva Presidente. Contudo, a senadora sequer saiu do PT. Mesmo com a incerteza, Marina Silva já causou um grande barulho, por isso é necessário analisar a real viabilidade dessa candidatura.

Alguns pré-requisitos a ex-ministra de Lula é aprovada com louvor. Marina Silva tem uma biografia invejável, irretocável. Sua militância ecológica é reconhecida mundialmente em diversos prêmios e participações em eventos. Seu nome é lembrado por muitos brasileiros, já que ocupou a cadeira do ministério do Meio Ambiente por mais de 5 anos. Além disso, o Partido Verde é, pelo menos ideologicamente, o partido mais compatível com sua militância. Na prática, claro, o PV é outra coisa. Mas isso não é o foco da questão.

Eleitoralmente, a análise é outra. Lembrem-se do caso de Ulysses Guimarães, um excelente candidato a presidente em 1989, vexatoriamente recusado pelas urnas. Assim também pode ser o caso de Marina. Ela entraria em uma disputa bipolarizada, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Roubaria os votos do indignados com o poder, daqueles que apostam na novidade, na mudança. Deixaria aleijada a candidatura petista, afinal, Marina Silva é histórica militante petista e ideologicamente mais próxima de Rousseff do que de Serra. Isso sem falar no fator feminista na conquista do voto. Apesar disso, com a atual tendência eleitoral a senadora acreana ficaria em terceiro nas urnas e apenas provocaria um segundo turno já esperado. Sem uma campanha agressiva, verdadeira e com identidade a ecologista pode sofrer do mesmo mal que Cristovam Buarque (PDT) em 2005. Cristovam tinha uma boa imagem, boas propostas, mas uma campanha sem cor, sem impacto. O candidato da educação amargou o quarto lugar.

Ainda faltam muitos meses até o início oficial das campanhas, mas Marina Silva não pode reclamar por falta de apoio. Sua suposta candidatura vem repercutindo na mídia e ganhando corpo entre os eleitores. Outra peculiaridade que marcará essas eleições de 2010 será a força feminina na disputa presidencial. Poderá sair das urnas uma Angela Merkel? Ou uma Michele Bachelet? Ou, pelo menos, uma Hilary Clinton.





Veja as brigas entre Collor e Simon e Renan e Jereissati

8 08 2009

A primeira semana de agosto de 2009 vai ficar marcada para a política brasileira. E vai marcar negativamente. Uma semana incendiada no Senado Federal. Primeiro, José Sarney (PMDB) pára os parlamentares com seu discurso de “fico”. Depois, o senador Paulo Duque (PMDB) arquiva TODOS os processos no Conselho de Ética contra Sarney. Mesmo sendo dois fatos de suma relevância, outros dois fatos roubaram a cena por sua peculiaridade nesta semana. Confira nos vídeos, eles valem muito a pena.

Os senadores Pedro Simon (PMDB), Renan Calheiros (PMDB) e Fernando Collor (PTB) discutem calorosamente, no dia 4 de agosto. Simon é um dos poucos senadores que ainda goza de integridade, foi autor de duras críticas ao seu partido no início deste ano, em entrevista à Revista Veja. Calheiros discorda do colega, mas prefere não discutir. Enquanto Collor, num tom de nervosismo e um tanto assustador, faz-se de vítima e pede a Simon que não mais pronuncie seu nome no Senado.

A outra discussão é protagonizada por, novamente, Renan Calheiros (PMDB) e pelo senador Tasso Jereissati (PSDB). Jereissati se exalta e quer que o senador Renan repita a seguinte fase, que não saiu no microfone: “Seu coronel de merda, me respeite!” Vale ressaltar que palavrões ferem o decoro parlamentar e pode haver nos próximos dias uma representação no Conselho de Ética contra o senador Renan Calheiros.

Como escreveu o senador José Agripino em seu twitter: “O senado não aguenta outra quinta-feira igual a esta”.





O voto para acabar com a crise no Senado

16 07 2009

Sou mais um a comentar sobre a crise do Senado, fato. E o que mais revolta em tudo isso é que enquanto falamos, protestamos, condenamos, mais indiferentes parecem estar nossos senadores.

Não quero comentar sobre José Sarney, nem falar sobre Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, que prova que senador no Brasil não tem mesmo o que fazer. Quero apenas trazer algumas questões sobre a necessidade de se manter as duas casas do congresso brasileiro e, principalmente, defender o sistema de República Presidencialista contra o sistema de governo Parlamentarista.

A cada crise os radicalistas se exaltam e voltam a gritar pelo fechamento do Senado. Nada mais desagradável e anti-republicano do que ouvir essas falsas rebeldias. Muitos que agora lêem este texto podem confirmar a experiência nefasta da Ditadura em ter o Congresso Brasileiro fechado. Por mais indignos que os parlamentares – senadores e deputados federais – sejam, o Brasil ganha muito mais com o funcionamento do Senado e da Câmara, do que com sua extinção. Este, definitivamente, não é o caminho para uma política mais justa e séria.

Por outro lado, também não defendo o sistema governamental Parlamentarista. [Para saber sobre Parlamentarismo clique aqui.]  Sou contra, pelo menos por enquanto. A democracia no Estado brasileiro ainda não está preparada para este sistema. Pensem vocês do quanto os nossos parlamentares seriam capazes se o poder governamental estivesse sob o seu comando. O eleitor brasileiro está mais consciente, mas ainda não estamos preparados para escolhermos homens sérios do Parlamentarismo.

A solução para a crise no Senado? O voto! A mesma solução para os dissabores na Câmara. A mídia vem escancarando as ilegalidades e aos poucos o processo se torna mais transparente. O eleitor deve votar sem medo e escolher verdadeiros representantes. Aí sim, poderemos pensar em uma reforma eleitoral e, talvez, uma reforma política.








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