Mais uma sobre o Fantasma do Neo-Nazismo

3 05 2008

Eu já discuti sobre esse tema aqui no Diário de Hermes (A Alemanha e o Nazi-Fantasma) e venho provar, mais uma vez, que ele existe e não tem nada a ver com Teoria da Conspiração ou coisas parecidas, é realidade.

A foto acima retrata o Dia Mundial do Trabalhador na Alemanha. Dia de protestos e atos neo-nazistas.





De volta ao Túnel do Tempo…

18 04 2008

Nazi obtêm sucesso nas eleições de setembro
[Direto do ano de 1930]

Nas eleições de 14 de setembro o Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores (Nazi) obteve alto índice de aprovação no eleitorado germânico. O inexpressivo número de 12 deputados atingido pelo Nazi em 1928, foi multiplicado nas urnas para 107 cadeiras ocupadas pelo partido. Juntamente com o crescimento da economia alemã, o Partido Comunista Alemão e o Nazi tiveram grande êxito nesse intervalo de tempo entre as eleições.

O que chama a atenção, é que apesar do desastroso “Putsch da Cervejaria” o partido atingiu êxito nas urnas após 5 anos da sua reorganização. A frustrante tentativa da tomada de poder sobre Munique, Baviera, em 9 de novembro de 23 custou ao Nazi a morte de 16 partidários, a prisão de seus principais líderes, inclusive Adolf Hitler, e a extinção do partido. Apesar de condenado, o atual líder da SA teve a chance de proferir, em seu julagemento, um discurso no qual exaltava as idéias nacionalistas, que levou os presentes a aclamarem o réu. Hitler foi condenado a cinco anos de prisão em Landsberg. Durante esse tempo, o responsável pelo ressurgimento do Partido Nazista arquitetou o atual modelo político do Nazi, do qual obteve grande sucesso.

As idéias que exaltam os valores da nação alemã, as grandes campanhas e as panfeltagens pelas ruas, o entusiasmo dos jovens e a política anit-semita do nazi vêm conquistando a simpatia do povo alemão, fato comprovado nas urnas. Apesar disso, muitos não simpatizam com a ideologia nazista. O pai da psicanálise, Sigmund Freud, em sua entrevista concedida este ano [1930], criticou: “Minha língua é o alemão. Minha cultura, minhas conquistas são alemãs. Considerei-me um alemão do ponto de vista intelectual, até que percebi o crescimento do anti-semitismo na Alemanha e na Áustria alemã. Desde então, não me considero mais um alemão. Prefiro me considerar um judeu”.

Com o apoio popular e o desgosto de Freud o Partido Nazista pretende, em breve, eleger como füher da nação alemã seu líder, Adolf Hitler, mas para isso deverá aumentar, ainda mais, as cadeiras que ocupa.





As Máquinas de morte de Hitler

4 03 2008

MIRANDA, Celso. Auschwitz, por dentro da fábrica de matar. Super Interessante, São Paulo, set. de 2007. p.62-72 .

As Máquinas de morte de Hitler*

O autor da matéria de capa da Super Interessante de setembro é o jornalista Celso Miranda. Celso trabalhou no Notícias Populares, Folha de São Paulo e Gazeta Mercantil. A matéria ainda tem como designer com renome na internet Raphael Erichsen e na edição o esquerdista e sub-editor da revista Oscas (revista popular patrocinada por sem-tetos) Sérgio Gwercman. Um fato a ressaltar é que a revista do grupo Abril considera os dois como co-autores da matéria, pelo fato da evidência estética e semiótica nas páginas da revista.

“Auschwitz, por dentro da máquina de matar” não aborda simplesmente esse único campo de concentração, apesar de ter sido o maior e, consequentemente, o mais conhecido, mas mostra aos leitores toda a logística nazista para o extermínio em massa. O número mais conhecido é o de 6 milhões de judeus mortos no holocausto, porém o número de mortos em conseqüência da Segunda Guerra Mundial é de 53 milhões de pessoas, envolvendo soldados e civis.

As vítimas dos campos de concentração não eram apenas judeus, e esse é um dos motivos pelos quais os campos de concentração se tornaram campos de extermínio. Ciganos, testemunhas de Jeová, deficientes físicos e mentais, comunistas, prisioneiros de guerra eram mandados para os campos concentração. Com a ofensiva do Reich aos soviéticos, o número de prisioneiros foi se transformando em uma dificuldade, pois antes os campos usados simplesmente para trabalhos forçados.

Com o aumento de prisioneiros de guerra foi-se tornando cada vez mais difícil manter todos os prisioneiros. Então, foi a partir desse imprevisto aumento de prisioneiros que os nazistas decidiram a adotar a política de eliminar aqueles que não serviam para os trabalhos forçados nos campos. Fazia-se, assim, cada vez mais necessário montar uma estratégia que matasse de forma rápida e eficiente. De acordo com Heinrich Himler, o temível capitão da SS e da Gestapo, ao assistir um fuzilamento declarou que era “enorme [o] esforço para fuzilar apenas 100 pessoas”.

A aversão ao extermínio em massa através dos fuzilamentos também foi expressa por Hudolf Hoss, comandante supremo de Auschwitz, em seu diário, escrito na prisão dias antes de ser executado: “Essa história do gás me tranqüilizou. Sempre tive horror das execuções com pelotões de fuzilamento. Fiquei aliviado ao pensar que seríamos poupados daqueles banhos de sangue”. Com todas essas dificuldades, as experiências com Zyklon B (o gás tóxico) foram aprovadas pela cúpula nazista.

Dessa forma deu-se início à campanha de extermínio dos judeus e os demais “impuros” e “inúteis”, o holocausto nazista. No auge da guerra foram mortos, em campos de concentração, 3,6 milhões de pessoas em apenas um ano e dois meses. Em Auschwitz a capacidade máxima de prisioneiros foi 100 mil e diariamente chegavam trens lotados de mais prisioneiros dos frontes de batalha e dos territórios dominados. Durante toda a guerra o maior campo de concentração nazista, que ficava na Polônia, exterminou 1,1 milhão de prisioneiros nazistas.

A matéria vem mostrar que a eficiência no extermínio vai além dos preceitos ideológicos. Toda a logística arquitetada pelos nazistas vem da necessidade de eliminar opositores e prisioneiros que se faziam numerosos em demasia com o decorrer da guerra, em especial com as vitórias e conquistas. Afirma ainda que as câmaras de gás não foram somente um meio de eliminar os ditos “impuros” e “inúteis” que prejudicariam a, suposta, raça ariana, mas também uma máquina de guerra.

O que se deve observar, aliás, o que se questiona até hoje, é que mesmo com a eminente ameaça de guerra com Hitler no comando da Alemanha, a Europa preferiu virar as costas para o discurso Nazista e seu poder de influência no povo alemão. Os países europeus omitiram-se às evidências claras de guerra do regime autoritário, discriminatório e militarizado instaurado em uma Alemanha derrotada e humilhada pela Primeira Guerra Mundial.

Outro ponto a ser discutido (que, de certa forma se relaciona com o primeiro) é o de que durante esse momento nefasto da história, o próprio mundo não tomou conhecimento, ou fez questão de não saber da política de matança de Adolf Hitler pra legitimar o chamado espaço vital (lebensraum).

Um grande exemplo histórico de desconhecimento do que se passava nos territórios anexados ao Reich é o filme de Charles Chaplin, O Grande Ditador (The Great Dictator), onde o gênio americano do humor interpreta Hynkel, uma caricatura do füher alemão. Ao ser questionado sobre as atrocidades de Hitler Chaplin lamenta-se e declara que não teria feito o filme se tivesse conhecimento do que acontecia nos campos de concentração. Outro fato que perpetua até hoje é a ausência, ou quase total esquecimento, dos campos de concentração nos livros didáticos de história. Os livros comentam e evidenciam a ideologia nazi-fascista e até a Segunda Guerra Mundial, mas os campos de concentração passam quase que despercebidos. Assim, em enciclopédias e livros sobre o tema são raros, ao menos aqui no Brasil.

É necessário mostrar, estudar e investigar, ainda hoje, toda a ideologia Nazi-fascista e seus atos, para que jamais na história se repita fatos como esses. Os jovens devem tomar consciência da manipulação que os nazistas fizeram com sua juventude para que saibam os perigos do fanatismo e idolatria, seja a quem for. Assim fala o filósofo Victor Frankl: “Fiquemos alertas desde Auschwitz nós sabemos do que o homem é capaz. Desde Hiroshima nós sabemos o que está em jogo”.

Referências:

BARTOLETTI, Susan C. Juventude Hitlerista. 1. ed. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2006.

SZKLARZ, Eduardo. Nazismo. Super Interessante, São Paulo, jul. de 2005. p.36-45 .
* Resenha apresentada no segundo período de Jornalismo




A Alemanha e o Nazi-fantasma

24 10 2007

Alemanha “terra-natal” do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, o Nazi. País que acolheu o austríaco Adolf Hitler como cidadão e füher. Foco gerador das duas guerras mundiais. Isso é fato histórico e inegável, porém a Alemanha, uma das maiores potencias da atualidade, uma nação civilizada e democrática do Europa, mais de 60 anos depois do fim do Nazismo ainda não sabe conviver com seu passado e com seus erros.

Não é difícil encontrar homens e mulheres que hoje são avós, bisavós, que participaram ativamente, acreditaram, lutaram na guerra pelo Nacional-Socialismo. São cidadãos alemães marcados por um passado nefasto, vítimas de uma grande e bem arquitetada mentira.

Na semana passada, tivemos mais um episódio em que a sociedade alemã prova sua incapacidade em lidar com os assuntos relacionados ao Nazismo. Enquanto participava de um programa de entrevistas da TV alemã, Eva Herman, jornalista, foi educadamente expulsa pela apresentadora Johannes Kerner por usar terminologia nazista.

Durante um famoso programa de entrevistas da ZDF, a jornalista alemã usou argumentações e expressões nazistas e defendeu-se respondendo a outra convidada: “Mas, se utilizamos as rodovias construídas na era Nazista, por que não posso mencionar os valores familiares daquela época?”. Kerner, a apresentadora do programa, não hesitou em pedir para que Herman se retirasse dos estúdios. O programa teve audiência recorde com 2,65 milhões de televisores, somando 18,1% da audiência.

Desde então, os jornais estampam reportagens sobre Herman e seu site na internet é campeão em mensagens de apoio à jornalista. Algumas outras mensagens criticam a jornalista pelo discurso incoerente e a apresentadora por desrespeitar a liberdade de imprensa.

Eva Herman, de 48 anos, é mãe de um menino de 10 e divorciada. Foi âncora de telejornal noturno durante 17 anos (1989-2006), a é grande defensora da família e adversária do feminismo. É autora de dois livros onde aponta o movimento feminista como principal responsável pala baixa taxa de natalidade no país.

Porém, não é a primeira vez em que a jornalista escandaliza a sociedade alemã por julgar positivos alguns pontos de regime do III Reich. Ao lançar seu segundo livro Eva lamentou a perda dos valores da família cultivados na era nazista. Em setembro ela foi demitida por usar terminologia hitlerista. Outra polêmica é que Herman ainda não declarou qual o real motivo de usar esse vocabulário, se por ideologia, ou, simplesmente, para chacoalhar e chocar a sociedade e causar efeito em seu discurso.

Esse fato nos faz questionar a forma com que a sociedade alemã lida com seu passado nazista e com as facções neonazistas, também. É preciso manter vivo na memória para que episódios não se repitam. Dessa forma, podemos questionar as nações que passaram por fortes ditaduras e como lidam com a história, muitas vezes recente. Recordar, pode não ser, viver.








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