Dois links para quem gosta de comunicação

8 09 2009

Entrevista com Pierre Lévy

O filósofo francês Pierre Lévy, especialista em Cibercultura, em entrevista ao G1. Lévy está trabalhando em uma linguagem universal para os conteúdos da rede mundial de computadores. A “web semântica” seria o passo principal para a formação de comunidades da Inteligência Coletiva.

Aproveitando o momento para um parênteses. Tenho me interessado muito pelo gênero jornalístico da entrevista. A mistura química entre entrevistado e entrevistador me fascina e instiga.

Estudos em Jornalismo e Mídia

Estudos em Jornalismo e Mídia é a revista científica do mestrado em Jornalismo da UFSC. Você pode se cadastrar e ter acesso ao arquivo das edições. Estão disponíveis artigos científicos, entrevistas, resenhas e comentários. Para os acadêmicos de jornalismo é uma excelente referência, já que o mestrado da Federal de Santa Catarina é o único do país em Jornalismo.





VOLNEI – ENTREVISTA EXCLUSIVA

1 10 2008

Diário de Hermes entrevistou, com exclusividade, o candidato para a prefeitura de Itajaí, Volnei José Morastoni, Coligação Pelo Bem de Itajaí.

Leia, também, a entrevista com os candidatos Jandir Bellini e Silvino Neto.

O prefeito de Itajaí em campanha para a reeleição, Volnei Morastoni, participou da última entrevista com os candidatos no programa Viva Voz, da Rádio Educativa Univali FM. Volnei chegou sozinho e saiu apressado para os compromissos da tarde. Antes de sair respondeu algumas perguntas de uma colega acadêmica e, claro, as minhas também.

Diário de Hermes – Faltando 4 dias paras o término das eleições municipais, como o senhor avalia sua campanha?

Volnei Morastoni – Eu avalio como uma campanha excelente, altamente propositiva, apresentando propostas. Ao mesmo tempo, fazia uma prestação de contas do meu trabalho como prefeito, porque eu já sou prefeito e candidato a reeleição. Então, eu preciso combinar uma prestação de contas, dando conta do meu trabalho como prefeito, das obras e realizações, e, ao mesmo tempo, apresentando novas propostas dando continuidade nesse governo. Um governo que precisa continuar para concluir, para completar, essas obras importantes de infra-estrutura, como foi a barragem, como todas as obras de água e esgoto, de saneamento, como é o centro de eventos, como é a escola técnica federal. Então, eu poderia citar aqui dezenas e dezenas de realizações importantes. Portanto, a campanha foi baseada nesse caminho, de uma campanha alegre, de uma campanha que não fique apenas falando mau e criticando, mas que seja, acima de tudo, uma campanha de propostas.

DH – Na sua primeira campanha a juventude recebeu um grande espaço. Nessa eleição essa visibilidade diminuiu, por isso quais suas propostas para a juventude em Itajaí?

VM – Bem, primeiro é implementar com força a coordenadoria da juventude. Nós temos um trabalho importante para fazer com a união dos estudantes secundaristas de Itajaí, incentivando os grêmios estudantis. Ao mesmo tempo, na luta permanente para que os estudantes, os jovens, possam acessar o ensino público gratuito de boa qualidade, tanto na universidade, quanto no ensino profissionalizante. Aí, eu gostaria de destacar a grande conquista que foi a escola técnica federal, que se chama IFCET, que é o Instituto Federal de Ciência e Tecnologia, onde teremos mil e duzentas vagas de ensino médio, significa que jovens de 14/15 anos poderão fazer o segundo grau em uma escola pública, gratuita, mantida pelo governo federal. Tendo acesso a curso profissionalizantes como técnico em mecânica, em mecatrônica, em pesca, em construção naval, em gastronomia. Isso abre o caminho para o primeiro emprego, facilita o acesso para o primeiro emprego, quando o jovem tem em mãos um curso profissionalizante. Ao mesmo tempo, é o acesso do jovem a cultural, ao esporte, ao lazer, a todas essas atividades que são muito importantes para a formação, tanto da sua personalidade, do seu caráter, mas também da sua cidadania. Nós vamos continuar dando muita força para poder desenvolver essas atividades como um todo.

DH – Os eleitores presenciaram durante a campanha muitos ataques e acusações na área da saúde, problemas na administração. Como o senhor justifica esses ataques, essas acusações?

VM – Primeiro que a saúde é muito fácil criticar, porque a saúde mexe com as pessoas, ela mexe com a subjetividade, com a individualidade. Quando uma pessoas está doente, ou tem um problema de saúde, para ele, ele (o doente) é único. Não adianta, se justificar se o exame vai demorar um pouco mais, ou se a consulta não tem na hora. Mas eu quero dizer que na saúde nós tivemos muitas realizações, inclusive nós dobramos as verbas para a saúde. Quando eu assumi, o município gastava 34 milhões (de reais) em saúde, hoje estamos gastando 70 milhões (de reais), nós dobramos as verbas para a saúde. Tínhamos 16 equipes de Saúde da Família, hoje temos 33 equipes de Saúde da Família, dobramos as equipes. Informatizamos a rede, renovamos a frota, construímos novas e modernas unidades, triplicamos os exames, como ressonância magnética. Nós abrimos um apoio grande com o pronto socorro do hospital Marieta, melhorando muito o atendimento ali. O apoio direto com o hospital infantil, com recursos, ajudando a qualidade do atendimento. Agora, qual é o problema? As principais reclamações estão no campo do atendimento em si, do acolhimento, da humanização. Esse é o grande trabalho que nós vamos fazer, porque eu posso dizer que mais de 90% dos problemas na saúde serão resolvidos com uma palavra-chave que se chama acolhimento. Humanização. Como é que as pessoas são atendidas, como é que elas são recebidas, como é que, as vezes, é dito um não. Uma consulta que não tem agora, mas pode ter apara amanhã, ou para semana que vem. Uma consulta marcada para 3 meses, dependendo do caso, de como a equipe do posto se interessar pelo caso daquele paciente, pode trazer a consulta para amanhã, ou para hoje. Ou, como que uma pessoa com 70 anos de idade e 40 graus de febre, simplesmente diz que não tem mais ficha? Mas dá para encaixar o atendimento sim. Se não der para a manhã, pode encaixar para tarde, ou para noite. Ou, se não tem nessa policlínica, pode ter numa outra, nós temos mais de 40 unidades numa rede. Então, é como a equipe se interessa para poder atender. Tem que atender como se fosse seu pai, sua mãe, seu filho, seu irmão, seu tio, sua avó. A parte humana, o calor humano, o carinho, não pode ficar dissociado do atendimento na saúde. É esse trabalho de acolhimento e humanização que nós vamos fazer na próxima etapa.

Acesse, também, as entrevistas com o candidato Jandir e Silvino.





JANDIR – ENTREVISTA EXCLUSIVA

30 09 2008

Diário de Hermes entrevistou, com exclusividade, o candidato para a prefeitura de Itajaí, Jandir Bellini, Coligação Trabalho e Amor por Itajaí.

Leia, também, a entrevista com os candidatos Volnei Morastoni e Silvino Neto.

O candidato Jandir Bellini compareceu hoje no programa Viva Voz da Rádio Educativa Univali. Ao final da entrevista, acompanhado de dois assessores, Jandir aceitou responder minhas perguntas. Ao final, desejou-me sucesso. Amanhã será a vez de Volnei Morastoni.

Diário de Hermes – Faltando cinco dias para as eleições, depois de toda sua caminhada, como avalia a sua campanha?

Jandir Bellini – Entendo que dentro da normalidade. Nós só lamentamos, pois gostaríamos que a campanha através da mídia, pelo rádio e pela televisão, fosse baseada em propostas. Embora temos o candidato Silvino que é a novidade nesse pleito, mas os dois candidatos – a atual administração e a minha – são pessoas que já administraram a nossa cidade, poderíamos citar nosso trabalhar para planejarmos o nosso futuro. Infelizmente nós entramos numa área que eu tenho certeza que a comunidade de Itajaí não tem interesse, que são as acusações de um lado e de outro. Somente isso que eu acho que saiu da normalidade dentro dos processos políticos em Itajaí.

DH – Quais as suas propostas para a juventude itajaiense?

JB – Consta no nosso compromisso que é o Itajaí que o Povo Quer, nosso programa de governo, nós vamos criar um departamento dentro da administração que será ocupado por jovens, que vai estar em contato com a juventude e vão elaborar programas que possam atender a juventude. Por exemplo, proporcionar uma política que possa dar ao estudante, ao universitário, condições de realizar o seu estágio, tanto na iniciativa privada, como no serviço público. Proporciona a ele adquirir conhecimentos, quando ele for em busca do seu primeiro emprego, ele já tem a experiência que hoje as empresas mais exigem. Tenho certeza que programas como esse, vão proporcionar ao jovem que fez seu estágio dentro da empresa, já fica ali com seu emprego assegurado. E outros programas lógico, na área do esporte, do lazer. O jovem sabe o que ele quer, então não somos nós que vamos dizer aquilo que devemos fazer para os jovens. Por isso a criação do departamento. Vamos ouvir os jovens, saber quais os jovens que deverão ocupar esse espaço, para que ele possa congregar as idéias e desenvolver programas voltados à juventude, que é o nosso futuro. É importante dizer que vocês jovens, precisam participar da atividade política, vocês é que vão governar o nosso município, o nosso estado, o nosso país no futuro. A participação do jovem na vida pública é muito importante, não tenho menor dúvida.

DH – Tenho conversado com as pessoas na cidade, e elas manifestam uma grande dúvida. O senhor pretende dar continuidade aos projetos implantados pela atual administração? Programas como o Itajaí Ativo, Artes nos Bairros, a Escola de Balé, a taxa de isenção da coleta de lixo.

JB – Quem mora em Itajaí há mais de 10 anos sabe muito bem dos nossos oito anos de governo foram realizados. Sem perseguição, sem abandonar projetos que sejam de interesse da comunidade. Até porque cada projeto desse tem dinheiro público e o dinheiro público deve ser administrado com muita responsabilidade. Então, esse terrorismo que estão fazendo que estão fazendo em cima, principalmente dos funcionários públicos, que nós vamos acabar com o Cartão Cidadão, com a terceirização das empresas que prestam serviço na merenda escolar, também na parte da limpeza das escolas, que nós vamos acabar com a escola de balé, que nós vamos acabar com o programa Arte nos Bairros, que vamos acabar com a coleta seletiva do lixo. Meu Deus, uma coisa tão importante! Esse programa veio de encontro com aquilo que nós mais queremos, que é preservar o nosso meio ambiente. Vamos incentivar ainda mais! Então, não considere uma colocação sequer dessa natureza. Tudo que é bom para a sociedade, para a comunidade de Itajaí nós vamos continuar e, talvez, fazer ainda melhor.

Esse blog está ficando muito importante! Minhas entrevistas gora estão sendo reproduzidas no blog Visão Extra, do meu amigo Juliano Roberto Flôr.





SILVINO – ENTREVISTA EXCLUSIVA

29 09 2008

Diário de Hermes entrevistou, com exclusividade, o candidato para a prefeitura de Itajaí, Silvino Neto, do PSOL.

Leia, também, a entrevista com os dois principais candidatos, Jandir Bellini e Volnei Morastoni.

Estive nos estúdios da Rádio Educativa Univali FM94,9 – no Programa Viva Voz, do professor Carlos Praxedes, para conferir de perto a entrevista de Silvino. Na saída, o candidato me concedeu a entrevista. Após a entrevista, parabenizei o candidato pela participação no debate da Record e descemos as escadas conversando. Ele me perguntou qual era o meu blog, ao responder ele me surpreendeu dizendo que já tinha lido, por indicação do Magru no seu blog. Por fim, Silvino mostrou todo seu conhecimento mitológico e comentou de Hermes, o deus mensageiro.

O desejo é de entrevistar os três candidatos, caso eles permitam que eu lhes pergunte. As duas primeiras perguntas serão iguais para todos os candidatos. Já a última questão é individual. Essa questão diferenciada foi preparada para cada candidato, para que você conheça melhor as suas idéias. Mas será que todos eles vão ouvir esse mísero estudante de jornalismo?

Diário de Hermes – Faltando menos de uma semana para as eleições, como o senhor avalia a campanha eleitoral em Itajaí, especialmente sua?

Silvino Neto – Bom, eu vejo com muito bons olhos. O poder econômico menos influente nas eleições e acho que no futuro ele seja menos influente do que é hoje. Eu acho que eleição não é gincana, eleição tem que ser discutida com proposta para a cidade. Eu acho que a eleição tem sido muito interessante, eu estou muito feliz. Nossa campanha não é uma campanha com muitos recursos, então isso dificulta, porque o cidadão no dia a dia, fora os programas do horário eleitoral gratuito, e debates, e entrevistas, ele não tem muita oportunidade de ver nosso material na rua. Isso de certa forma prejudica um pouco. Mas por outro lado, isso é algo que nós já prevíamos, que teríamos essas dificuldades. Então não tem sido um problema, não é algo que me aborrece. Estou contente, é um momento importante para Itajaí.

DH – Os blogs na internet têm como principal publico os jovens. Quais as suas propostas para a juventude em Itajaí?

SN – Uma grande política de capacitação dos jovens. Capacitar os jovens para o mercado de trabalho, porque a população de Itajaí é em grande parte uma população de jovens, são 60 mil abaixo dos 18 anos, quase 30 mil entre 18 e 24 anos, quase a metade da população tem menos de 24 anos. Então é uma questão de sobrevivência ter políticas públicas para esse setor. Fazer, um grande trabalho de inserção, não somente entregar um certificado educacional, mas realmente inserir esse jovem para que ele comece a trabalhar. Não basta capacitar é preciso garantir o primeiro emprego.

DH – Mesmo com as dificuldades já mencionadas da sua campanha, o senhor acredita que conseguiu alcançar seus objetivos, mesmo estando longe da vitória?

SN – A campanha ainda não terminou, não dá para fazer um balanço final, ainda temos essa semana. Até agora eu tenho estado muito feliz, apesar de todas as dificuldades que eu já mencionei. As pessoas têm me recebido com muito carinho nas ruas, isso é o mais importante. Houve apenas uma ocasião [que não foi bem recebido], mas o resto, são todas manifestações de carinho, apreço. Ás vezes, até, manifestações otimistas, mais otimistas que eu. Talvez não para essa eleição, mas para eleições futuras, mas isso não sou eu que vou dizer, é tempo que irá dizer. Eu não gosto de criar expectativas, eu gosto de fazer um bom trabalho. Estou muito orgulhoso, porque eu fiz um bom trabalho, deu tudo certo. Mesmo com os problemas de horário, falta de recursos. Então só pelo fato de ter dado tudo certo, de ter feito uma trabalho bacana, bonito, isso já me deixa muito feliz, muito contente. Vamos esperar, esperar essa última semana.





Entrevista: Dona Nina, a Vida em Rimas – Parte Exclusiva

11 05 2008

Diário de Hermes publica a segunda parte, e exclusiva, da entrevista com a Vovó Nina. Como prometido na publicação anterior (Entrevista – Parte 1). A entrevista é de Juliano Roberto Flor e Thiago Amorim Caminada e as fotos, também, de Juliano R. Flor.

Diário de Hermes – A senhora escreveu um livro sobre a sua família, sobre a sua vida. Como nasceu essa idéia de escrevê-lo?
Vó Nina - A gente começou lá no Rio, eu e o Luiz Carlos (filho), começamos a procurar os parentes. A primeira coisa que nós fizemos foi ir na embaixada italiana e pegamos o catálogo telefônico da Normandia, lá na Itália, a capital Milão, e aí pegamos os endereços telefônicos dos Ardigós. E começamos a escrever, passar e-mail, e começou a vir resposta. E começamos a procurar por aqui também. Então teve pesquisa no Brasil e na Itália…. E em mais lugares, porque tem parentes que moram na Argentina, parentes que moram nos EUA.

DH – O seu livro, “As Três Idades”, o título faz uma referência as fases da vida e, também, pelo fato do livro ter sido escrito na terceira idade. E para cada idade qual seria o fato mais marcante, o fato mais importante de cada idade?
VN -
[Pensativa] Quando eu terminei o quarto ano, eu queria ser professora, queria estudar e ser professora e a gente não tinha condição. Meu pai morreu quando eu tinha 10 anos.Quando terminei quarto ano meu pai faleceu, e aí o Constantino (irmão) quis que a gente fosse morar na casa dele pra mim ajudar a cuidar das crianças e eu não pude estudar. Mas eu queria ser professora, até que minha segunda poesia fala sobre isso, que eu queria aprender pra depois ensinar. Isso seria a primeira idade, já na segunda o que mais marcou? Na segunda idade? Foi tanta coisa que aconteceu. [pensando] eu, assim, sofri muito quando a minha mãe morreu, aí eu tinha 16 anos. Foi uma fase muito difícil, ela deixou muita falta. Depois, depois de 20 anos toda moça é casar, né? Depois os filhos… Ah! eu fui cabeleireira com 18 anos! Depois eu abri um salão pra mim, antes de casar e trabalhei a vida toda, até ficar velha. Trabalhei até quase 70 anos. E da terceira idade? O mais importante? Depois que eu fiquei velha o meu sonho era fazer o livro, né? E aí consegui realizar o meu sonho com 76 anos, fazer o livro.

DH – A senhora, na infância, teve contato com alguns poetas?
VN -
Não, não na infância, não. Foi depois, mais tarde, é que eu comecei, tudo que era poesia que eu lia eu copiava, eu gostava de copiar. E hoje, existem alguns autores preferidos? É, eu gosto do Pablo Neruda. Já li alguns livros dele, ele é chileno. Depois Mário Quintana. E de Camões, até tenho um livro de Camões. E tenho um livro que tem as 100 melhores do ano de 2002 ou 2003. Daí essas poesias eu leio de vez em quando. São as 100 melhores poesias daquele ano, tem de vários autores brasileiros.

DH – O contato maior com a literatura foi acontecer no Rio de janeiro?
VN - É. Foi agora mais tarde, depois do ano 2000. No ano 2000 que eu comecei a ir pro Rio e fiquei mais entusiasmada e com qualquer coisinha eu fiz uma poesia. Quando eu viajei a segunda a vez, a aeromoça disse pra quem estava do lado esquerdo olhar para ver a paisagem como era a paisagem, como era bonita a paisagem. Aí eu olhei, eu estava do lado esquerdo, e olhei. Aí depois quando o avião entrou nas nuvens eu escrevi: “foi vendo as coisa que vi os rios se encontrando com o mar foi aqui pertinho do céu que eu tive mais fé ao rezar”e depois tem mais um pedaço, mas este eu fiz no avião.

DH – O seu livro tem como subtítulo “Tradição, Família e Poesia”, qual a relação dessas palavras na sua vida?
VN - Eu sempre fui muito apegada com a família e tive a oportunidade de fazer o livro e as poesias que dão um sentido na vida da gente, por exemplo, agora eu moro sozinha, então a poesia é una coisa que me distrai.





Entrevita: Dona Nina, A Vida em Rimas – Parte 1

10 05 2008

Antonieta Ardigó Formonte, a vó Nina, é aposentada, tem 81 anos e em plena terceira idade, aos 76, concretizou um grande sonho, seu livro. A obra As Três Idades: Tradição, Família e Poesia, reúne relatos da vida da autora, uma árvore genealógica da família Ardigó – fruto de muito trabalho e extensa pesquisa – e, claro, suas poesias. A itajaiense que morou grande parte da vida em Brusque e nos últimos anos esteve várias vezes no Rio de Janeiro para a produção de seu livro concedeu entrevista aos blogs Diário de Hermes e Visão Extra, em sua residência, uma quitinete na Rua Silva, cidade de Itajaí. Dona Nina, que estudou até a quarta série primária, contou aos acadêmicos de jornalismo, Juliano Roberto Flor (entrevistador e repórter fotográfico) e Thiago Amorim Caminada (entrevistador), sobre as dificuldades que enfrentou para a produção de sua obra. Muito falante e disposta a vovó de 3 netos lembrou de suas primeiras poesias, escritas na infância, e da maneira como produz e vive suas poesias. Leia a segunda parte da entrevista aqui.


Diário de Hermes - Quando nasceu a idéia do livro de poesias?
Vó Nina - Ali pelo ano 2000, mas eu não queria fazer só de poesias, porque eu não tinha muitas naquela época ainda. Tinham poucas. Porque meu livro bom à enchente levou. Enchentes em Porto Belo? Não, não. Em Brusque. Em que ano? Tiveram 9 enchentes, mas a maior foi em 1961.

DH - Como surgiu o gosto e a habilidade de escrever poesias?
VN -
Desde pequena. Eu tenho uma poesia que eu fiz com 8 anos. A poesia mais antiga é a primeira e a segunda. Uma com oito e a outra com 10. Mas essas não saíram no livro porque eu não lembrava mais, elas foram perdidas, depois com o tempo eu fui pensando e fiz elas outra vez. A minha professora, quando tinha oito anos, me ensinou a fazer rimar. Ela leu um para nós, a dona Terezinha Praum, e aí ela falou em rima e eu curiosa perguntei “o que é rima?”. Daí ela fez uma rima, depois ensinou mais. E eu fiz em casa. Assim ó? “Eu vi uma rosa sorrindo lá no jardim/ vi também sorrindo para mim/ por que as rosas precisam chorar e sorrir assim?” Essa é a primeira que eu fiz. Porque eu gostava muito de rosas, eu achava que a rosa quando tava chovendo que ela chorava, pingava água, ela chorava, e quando tinha sol ela tava sorrindo.

DH - Dentro de tudo que envolveu a produção e pesquisa do livro. Qual foi a maior dificuldade?
VN - Do livro… Foi reunir os documentos dos parentes que é tudo distante. A busca pelos documentos foi a parte mais difícil. A Sia ajudou, outra sobrinha ajudou, outro sobrinho ajudou. Assim, porque eu estava lá no Rio de Janeiro e a gente ligava para eles procurarem. Porque é uma coisa que não dá pra fazer tudo de uma vez. Precisava fazer uma vez de uma família, outra vez da outra, porque a rama do meu pai tem 270 pessoas. Então são muitos, são dez filhos, eram 14, mas criaram dez. Esses dez tem bastante filhos, bastantes netos, são 270 pessoas. E daí a dificuldade de reunir os documentos, fotos. Porque tem um painel com as fotos de todos, que acompanha o livro.

DH - Quando vieram as primeiras poesias elas eram baseadas na vivencia. Quando foi para o Rio de Janeiro a maior parte de suas poesias nasceram lá e após a viagem. Qual a inspiração, a motivação que essa viagem lhe deu?
VN - No avião eu fiz poesias. Aí eu sentava na praça Paris, que ficava na frente da casa do Luiz Carlos (filho), eu fazia. Ou quando a gente foi na Barra, na primeira vez, fiz uma também. Fiz poesia sobre o Rio, sobre o Cristo Redentor, o Teatro Municipal, a Igreja da Candelária. A beleza do Rio, então, foi a inspiração? É, um pouco sim. E o outro pouco? [Risos] Aparece assim, ó. Aconteceu uma vez uma coisa assim: a Cassilda (sobrinha) estava doente, foi lá em casa, foi se queixar pra mim. Queria que eu rezasse, pra pedir uma ajuda pra ela melhorar. Então ela pediu pra mim fazer, uma oração e ela disse assim: “eu acho que eles estão me enganando, eu queria que eles dissessem a verdade pra mim, eu queria, assim, a verdade transparente”. E aí a Cassilda foi embora e eu fiquei com aquilo, “verdade transparente”. No outro dia eu fiz uma poesia. Com a “verdade transparente”. A poesia é “Amor Fraterno”. Quer que diga ela? Sim! É assim: “A dor e vento/ levando tormento/ naquele momento da decepção/ O mar e tempo/ que eu sempre contemplo/ com meu pensamento/ com bondade e razão/ Transmito para os outros/ dentro dos meus limites/ a verdade transparente/ que aparece de repente/ por amor a esta gente/ que sofre profundamente/ neste mundo sem ilusão/ Que vive a procura do amor fraterno,/ da paz, do eterno,/ da luz que brilha no horizonte,/ da água que brota da fonte,/ da felicidade, em achar a verdade,/ que vê pela frente/ a brisa que passa/ e o fogo da graça/ levando a fumaça/ que aquece o coração da gente”. Daquelas duas palavras eu fiz essa poesia aí.

DH - Qual a maior contribuição da poesia na sua vida?
VN - Ela me deixa alegre, me deixa feliz, a gente as vezes está sozinha e pensa diversas coisas e eu estando fazendo poesia eu não preciso pensar, por que aquelas horas passam sem eu pensar em coisas tristes. Na saudade. De quem a senhora tem mais saudades? Do Luiz. Meu marido. [Um leve sorriso] Tenho do meu pai, da minha mãe, dos meus irmãos, todos foram bons, mas mais é do meu marido. E escreve muitas poesias pra ele? Sim, já escrevi. Fiz uma poesia um mês depois que ele tinha falecido: “Todos os vasos precisam de flores/ como todos os corações precisam de amores/ mas o meu está vazio desde que partiu/ tivemos momentos lindos/ nosso natais iluminados/ mas também houveram dias difíceis/ que ficaram lá no passado” Tem um pedacinho que agora não lembro. Sabe porque? Nós tínhamos um pé de rosa amarela, que ele me deu de presente, um pezinho com uma rosa. Aí eu plantei em um vasinho. E essa rosa era muito falada, nós dois colocávamos a rosa no sol, tirávamos a rosa do sol, botávamos na sombra, botava de noite na rua e na semana em que ele faleceu tinha uma rosa aberta. E quando aquelas pétalas da rosa amarela caíram eu guardei em um saquinho. [Saiu sem explicar, deixando-nos na sala. Voltou do quarto com o saquinho com pétalas das flores] Aqui está o raminho de flor aquele apanhou no último dia. Ele faleceu a noite e de manhã ele foi cidade, no INPS, buscar gaze esterilizada, na volta sentou no jardim, encontrou um amigo, eles conversaram e ele apanhou este galinho de flor e me deu. Aí botei no vasinho, botei debaixo do pinheiro, isso era 2 de janeiro. Aí ficou lá depois de 2 ou 3 dias que ele tinha falecido, eu fui tirar o pinheiro e achei a florzinha. Aí eu sequei, só que agora não parece mais, está 13 anos aqui dentro.

DH - Existe um sonho que ainda não foi realizado pela senhora?
VN - O meu sonho era ir lá Itália, mas não deu. Quando eu comecei a planeja pra fazer o passeio já era muito tarde. Não tenho mais condições de viajar. Nem para o Rio eu tenho mais vontade de ir. Fui oito vezes sozinha para o Rio. . Porque a Itália? A Itália é onde nasceu meus pais e meus avós. A gente falava muito na Itália e eu tinha vontade de conhecer. Eu sei diversas coisas sobre a Itália. Tem várias dessas coisas no livro.

Amanhã, Diário de Hermes irá publicar a segunda parte, com exclusividade, da entrevista com a Vovó Nina.








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