Um pequeno trecho sobre as previsões de uma humanidade, ou pós-humanidade. Cabe espaço aqui, porque muitos de nós, daqui a 35 anos, ainda estaremos vivendo e gozando saúde. Mesmo hoje, já presenciamos as inovações de um pós-humanismo. Vale ressaltar que o autor citado escreve “nos próximos 50 anos”, isso em 1994, ou seja, já vivemos 15 desses 50 anos.
“Nos próximos 50 anos, a inteligência artificial, a nanotecnologia, a engenharia genética e outras tecnologias permitirão aos seres humanos transcender as limitações do corpo. O ciclo da vida ultrapassará um século. Nossos sentidos e cognição serão ampliados. Ganharemos maior controle sobre nossas emoções e memória. Nossos corpos e cerébro serão envolvidos e se fundirão com o poderio computacional. Usaremos essas tecnologias para redesenhar a nós e nossos filhos em diversas formas de póshumanidade”
“O Senado já sofreu desgaste incomensurável com o arrastar dessa situação. A Casa está paralisada há meses. As grandes questões nacionais não são discutidas. Parlamentares e partidos políticos estão derretendo frente à opinião pública. Ainda não conseguimos votar uma proposição importante neste segundo semestre no Plenário do Senado e não se vislumbra como será possível isso acontecer enquanto não for resolvida a questão relativa ao presidente José Sarney.”Senador Eduardo Suplicy (PT-SP)
Exaltado, senador Suplicy dá uma de árbitro.
Ontem a noite, o plenário do Senado foi, mais uma vez, palco de discussões exaltadas. Novamente, o assunto era a renúncia de José Sarney. (As discussões entre Simon, Calheiros e Collor e Jereissatti e Calheiros estão aqui) Dessa vez o clima tenso foi instaurado (pasmem!) pelo senador Eduardo Suplicy (PT) e o senador Heráclito Fortes (DEM).
Suplicy utilizou a tribuna para pedir o afastamento de Sarney utilizando um símbolo popular do futebol brasileiro: o cartão vermelho. Descontente, Heráclito Fortes discordou do petista que gritava ao senador piauiense e mostrava-lhe o cartão vermelho. (Assista o vídeo abaixo)
A cada discussão, a cada arquivamento de processo, a cada denúncia os senadores vão praticando auto-flagelo. O Senado parece encarnar um campo de batalha onde não há vencedores. Verdadeira carnificina, derramamento de sangue inútil. É evidente o desgaste público da instituição e das figuras que ali se confrontam.
Com toda essa guerra firmada, muitos perderam. Renan Calheiros perdeu o respeito ao pronunciar palavras de baixo calão. Aloísio Mercadante perdeu a convicção depois de ter voltado atrás. O presidente Lula perdeu a compostura quando pressionou Mercadante. Eduardo Suplicy perdeu a tranquilidade, sua marca inseparável. Artur Virgílio perdeu a oportunidade de ficar calado e por pouco não caiu em uma nova sequências de acusações. Fernado Collor perdeu o oxigênio quando discutia ofegante com Pedro Simon. Por fim, Sarney. Pois é, José Sarney não perdeu nada. Permanece na presidência do Senado e seus parentes continuam empregados. No máximo, Sarney perdeu a vergonha na cara. Ou melhor, nem isso, porque a vergonha na cara ele já deve ter perdido há muito tempo.
Solução para o Senado
Os nobres senadores não tomaram consciência daquilo que é realmente necessário para melhorar a imagem do Senado Federal. Ao invés da carnificina praticada nos últimos meses, onde cada um ataca seu opositor e assim todos vão para o mesmo, cada um devia olhar para si e cortar na própria carne. É custoso cortar a si mesmo, mas muitas vezes necessário. Necessário cortar aquilo que faz parte de si, do seu mandato, da sua regalia, do seu poder.
A primeira semana de agosto de 2009 vai ficar marcada para a política brasileira. E vai marcar negativamente. Uma semana incendiada no Senado Federal. Primeiro, José Sarney (PMDB) pára os parlamentares com seu discurso de “fico”. Depois, o senador Paulo Duque (PMDB) arquiva TODOS os processos no Conselho de Ética contra Sarney. Mesmo sendo dois fatos de suma relevância, outros dois fatos roubaram a cena por sua peculiaridade nesta semana. Confira nos vídeos, eles valem muito a pena.
Os senadores Pedro Simon (PMDB), Renan Calheiros (PMDB) e Fernando Collor (PTB) discutem calorosamente, no dia 4 de agosto. Simon é um dos poucos senadores que ainda goza de integridade, foi autor de duras críticas ao seu partido no início deste ano, em entrevista à Revista Veja. Calheiros discorda do colega, mas prefere não discutir. Enquanto Collor, num tom de nervosismo e um tanto assustador, faz-se de vítima e pede a Simon que não mais pronuncie seu nome no Senado.
A outra discussão é protagonizada por, novamente, Renan Calheiros (PMDB) e pelo senador Tasso Jereissati (PSDB). Jereissati se exalta e quer que o senador Renan repita a seguinte fase, que não saiu no microfone: “Seu coronel de merda, me respeite!” Vale ressaltar que palavrões ferem o decoro parlamentar e pode haver nos próximos dias uma representação no Conselho de Ética contra o senador Renan Calheiros.
Como escreveu o senador José Agripino em seu twitter: “O senado não aguenta outra quinta-feira igual a esta”.
Andaram Falando