Agora (quando inicio a redigir isto aqui) são 22 horas e 13 minutos, horário brasileiro de verão, e há exatamente 24 horas grande parte do país se encontrava em completa escuridão. No dia 10 de novembro, a Usina Hidroelétrica de Itaipu deixou de fornecer energia para 18 estados da federação por longas horas. Até o momento, muitas especulações e versões sobre o que pode ter acontecido circulam nos meios de comunicação, mas nada comprovadamente real.
A falha causou muitos prejuízos e transtornos para milhões de pessoas e indústrias, mas a grande crise sobrou para o governo. Na noite de ontem, em pleno caos, o presidente Lula já era tido como o responsável pelo apagão. O grande culpado. Hoje, no twitter e nos e-mails chovem vídeos e notícias com as declarações do presidente e de Dilma Rousseff garantindo que não haveria apagão.
É evidente que o Governo Federal, através do Ministério de Minas e Energia, deve responder à população sobre o acidente. Afinal, a gerência da usina é responsabilidade brasileira, mas não só nossa. O Paraguai também tem responsabilidade sobre Itaipu e deve ser cobrado por isso. Mas observando um pouco além do campo político (e porque não dizer eleitoral), pode-se observar uma grande falha no sistema de abastecimento energético brasileiro.
Mesmo Itaipu sendo a segunda maior hidroelétrica do mundo, ela não deveria fornecer a energia elétrica para as três principais regiões metropolitanas do país: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Essas três regiões que mais produzem riqueza no Brasil arcaram com enormes prejuízos na noite de ontem.
O problema em Itaipu deflagra muito mais do que a insuficiência no fornecimento de energia, mas vulnerabilidade do nosso país. Caso o Brasil entre em um conflito bélico, onde você acha que seria o primeiro bombardeio, meu caro leitor? Em Itaipu! Cortaria a energia das maiores cidades de uma única vez e ainda levaria o Paraguai de brinde!
O que deve ser estudado é a logística no fornecimento de energia. Além de garantir mais qualidade no fornecimento, o governo deveria se preocupar com esta questão estratégica. Para a sobrevivência da economia.
Andaram Falando