Verdade

29 03 2008
A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
Carlos Drummond de Andrade




Record News

19 03 2008

Já está no ar em Itajaí a Record News. A rede de notícias entrou no ar na região através da compra da Rede SC de Comunicação e ocupa o canal 6, antes da Tv de Sílvio Santos.





Missa do Crisma dá início ao Centenário da Arquidiocese

19 03 2008

Será celebrada hoje a Missa Pontifical do Santo Crisma aqui em Itajaí, no ginásio do Colégio São José, às 20 horas. São convidados todos os fiéis a participarem da celebração que será presidida pelo arcebispo Dom Murilo. Estarão presentes todos os padre da Arquidiocese de Florianópolis para a abertura do ano do centenário.

A Missa do Crisma é celebrada uma vez ao ano, neste ato litúrgico o bispo consagra os óleos que serão usados nas unções. Ainda nesta missa os padres renovam seu compromisso assumido no dia de suas ordenações.

Após a solene missa a imagem de Nossa Senhora do Desterro, padroeira da Arquidiocese, sairá do ginásio em procissão para ser entronizada na Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento. Durante o ano jubilar a imagem irá visitar todas as 64 paróquias da arquidocese.




O Descrédito dos Jornais Brasileiros

18 03 2008

O jornalista Paulo Henrique Amorim, em sua entrevista ao Jornal Folha de São Paulo, vem fazer uma contribuição às críticas feitas por Ricardo Noblat (neste blog, nas publicações anteriores) aos jornais brasileiros.

A minha tese é que a imprensa escrita brasileira é tão ruim, é tão carente de informações relevantes, que ela deixou de oferecer ao leitor as diversas opiniões, as diversas perspectivas. Além disso, surgiram aqui no Brasil, como um fenômeno simultâneo, portais na internet com qualidade. Os dois fenômenos, somados, permitiram o aparecimento desses espaços de opinião na internet.

Toda a entrevista está disponível no blog Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, se desejar ler é só clicar aqui.





O Fim Premeditado dos Jornais

17 03 2008

NOBLAT, Ricardo. A Arte de Fazer um Jornal Diário. São Paulo: Contexto, 2002 p.10-19.

Assim é, se lhe parece é o primeiro capítulo do livro A Arte de fazer um Jornal Diário de Ricardo Noblat. É observada criticamente a relação entre os jornais (assim como jornalistas e donos de jornais) com seu público e sua insatisfação com o produto que recebe. Para o autor, essa incompatibilidade é a principal causa da queda na venda dos jornais nas últimas décadas, que pode levar ao desaparecimento dos jornais impressos.

Através de dados coletados em pesquisas desenvolvidas no Brasil e nos Estados Unidos, o jornalista pernambucano decreta o fim evidente dos jornais, caso não haja mudanças. Os jornais deveriam buscar a renovação da pauta de assuntos, a humanização do noticiário (partindo para a ótica do leitor), aumentar interatividade e espaço para a manifestação do leitor (que é o consumidor do produto jornalístico), a publicar textos que mexam com a emoção e inquietem o leitor e dar mais espaço ao entretenimento. Noblat analisa ainda, que seria necessário dar mais tempo aos jornalistas para que possam produzir com maior qualidade e investir na sua qualificação. Para finalizar, como ponto mais importante para o reerguimento dos jornais seria a produção de um jornal independente e “que tome partido da sociedade”. Para o blogueiro, essas medidas atrairiam a atenção dos leitores, em especial dos jovens e das mulheres.

Algumas sugestões dadas por Noblat soam como utopia no cenário atual das redações, onde cada vez mais o jornalista é sobrecarregado e desvalorizado. Um outro caminho para a conquista de novos e bons leitores (consumidores), seria a mudança do jornalismo noticiário para o jornalismo opinativo, onde o leitor pudesse entender os fatos em sua totalidade e não somente tomar conhecimento do que acontece de maneira superficial.





Carta Capital ouve os dois lados

15 03 2008

Ouvir os dois, dar voz as versões, os dois lados da moeda. Este é um dos princípios éticos da apuração no Jornalismo. Dessa forma agiu a revista Carta Capital na sua versão semanal traz: João Pedro Stédie e Tito Martins como entrevistados. Os dois são, respectivamente, representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Vale do Rio Doce.
Na entrevista de Stédie, o representante do MST responde à revista Carta sobre as invasões do movimento em terras exploradas pela transnacional Vale, confira um trecho:
“Carta Capital: A Vale diz ter sido vítima de sete invasões do MST desde agosto de 2007. Existe uma perspectiva realista do governo desapropriar terras da maior mineradora do país? Ou quais outros objetivos estariam por trás dessas invasões concentradas nas terras da empresa?
João Pedro Stédie: As mobilizações que houveram em alguns estados contra a Vale do Rio Doce, decorreram porque, em todos esses Estados, a Vale desrespeita sistematicamente populações locais e o meio ambiente. E inclusive nem estava pagando os royalties devidos de sua maior mineradora para a prefeitura de Parauapebas (PA).
Desta forma, a Companhia Vale do Rio Doce tem e teve direito, na pessoa do diretor-executivo Tito Martins, de esclarecer, rebater, ou, simplesmente, relatar sua versão sobre o caso citado na entrevista anterior. Confira, também, um trecho da entrevista de Martins:
“Carta Capital:E quanto à acusação de a Vale não pagar os royalties devidos para a prefeitura de Parauapebas (PA)?
Tito Martins: Eu não sei porque foi dito isso, eu desconheço isso. Hoje nós temos questões relacionadas à CFEM, que na verdade o royalty da mineração é a CFEM(Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais), nós temos discussões(…)com o DNPM não só em Parauapebas mas também em vários municípios(…).A Vale tem uma interpretação sobre onde e como há incidência de CFEM e o DNPM tem outra.(…)O que acontece é que sobre aquela parte que entendemos que a incidência está OK, está sendo pago, ou seja, não há inadimplência.
É evidente que a Carta Capital é partidária do MST (como uma revista declaradamente esquerdista), porém sua linha editorial não prejudicou a ética jornalística, de ouvir, neste caso, o acusador e o acusado. Talvez essa é a diferença que me faz preferir a Revista Vermelha ao invés daquela outra, que tem nome de produto de limpeza.
A entrevista de João Pedro Stédie você pode conferir aqui. E aqui, a entrevista de Tito Martins. As duas estão disponíveis no site da Revista Carta Capital.




Globo X Record – Por Jorge Kajuru

14 03 2008

O Jornalista Jorge Kajuru em entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pam, em outubro de 2006:



Esse país só vai melhorar o dia que essa Rede Globo morrer ou falir. E tomara Deus que a Record não tome o lugar dela, porque aí a gente vai trocar seis por meia dúzia! Porque quem negocia a palavra de Deus, negocia qualquer outra coisa.





Tragédia (ou Comédia, se preferirem) em um único ato

8 03 2008

de Ricardo Noblat, em seu livro A Arte de Fazer um Jornal Diário

Cenário: uma banca de jornal no centro de uma cidade.

Personagens: um jornalista que tenta comprar jornais e revistas
e um cidadão de meia idade que lê as manchetes dos jornais expostos
na banca.


Cidadão — Eu acho que conheço o senhor… O senhor é jornalista, não é mesmo?
Jornalista — É, eu sou…
Cidadão — Já vi sua fotografia no jornal…
Jornalista — É, ela já saiu algumas vezes…
Cidadão — Posso lhe perguntar uma coisa?
Jornalista — Veja, eu estou meio apressado… Mas pode perguntar, sim.
Cidadão — Por que os jornais se parecem tanto?
Jornalista — Como?
Cidadão — Por que os jornais são tão parecidos? Por que tratam quase sempre dos mesmos assuntos?
Jornalista — Porque notícias importantes interessam a todos eles. E são publicadas por todos.
Cidadão — E quem decide que uma notícia é importante?
Jornalista — Ora, nós sabemos quando estamos diante de uma notícia importante.
Cidadão — Então são os jornalistas que decidem quando uma notícia é importante?
Jornalista — Bem, digamos que seja…
Cidadão — E se os jornais se parecem tanto é porque os jornalistas pensam da mesma maneira?
Jornalista — Mais ou menos…
Cidadão — Quem compra jornal pensa como a maioria dos jornalistas?
Jornalista — Acho que não. Há pesquisas nos Estados Unidos que provam que não. Mas se compra é porque reconhece que os jornalistas sabem em geral escolher bem o que publicam.
Cidadão — Então os jornais vendem cada vez mais?
Jornalista — Não, a maioria dos jornais no mundo vende cada vez menos.

(O cidadão olha o jornalista com ar de espanto e se cala por alguns segundos. Quando vê que o jornalista faz menção de ir embora, retoma as perguntas.)

Cidadão — Por que os jornais têm tantas páginas?
Jornalista — Porque têm muitas notícias e anúncios.
Cidadão — E as pessoas têm tempo para ler tanta coisa?
Jornalista — Não. Cada vez elas têm menos tempo.
Cidadão — E tem aumentado o volume de anúncios nos jornais?
Jornalista — Pelo contrário.
Cidadão — Então por que os jornais não têm menos páginas? Não sei… Mas o senhor está começando a me irritar…

(O cidadão parece claramente confuso. O jornalista se empenha em fazer de conta de que está apenas irritado com tantas perguntas.)

Cidadão — Jornal existe para quê?
Jornalista — Para informar as pessoas. Também para instruílas e diverti-las.
Cidadão — Então tudo o que interessa às pessoas tem no jornal?
Jornalista — Quase tudo. Ou grande parte.
Cidadão — Os jornais publicam muitas notícias sobre política e economia, não é?
Jornalista — Publicam, sim.
Cidadão — Quer dizer que os leitores se interessam muito por elas?
Jornalista — Não, elas despertam cada vez menos interesse. Pelo menos da forma como são escritas ou apresentadas.
Cidadão — E que tipo de notícias desperta mais interesse nos leitores?
Jornalista — Notícias sobre temas que afetam mais diretamente a vida deles. Notícias, por exemplo, sobre saúde, educação, sexo, ciência, políticas públicas…
Cidadão — Mas os jornais não estão cheios delas, não é?
Jornalista — É. Não estão…

(A essa altura, o jornalista e o cidadão estão rodeados por meia dúzia de pessoas que passavam por ali e se interessaram pela conversa.)

Cidadão — Os jovens lêem jornais?
Jornalista — Lêem pouco. E cada vez menos.
Cidadão — Mas o que os jornais fazem para atraí-los?
Jornalista — Não fazem muita coisa.
Cidadão — Se não atraírem leitores jovens, no futuro os jornais não terão mais leitores, estou certo?
Jornalista — Está, sim. É mais ou menos isso.
Cidadão — Então a idéia dos jornalistas é acabar com os jornais…
Jornalista — O senhor me desculpe, mas tenho que ir embora.

(O jornalista sai de cena. O cidadão e as demais pessoas ficam por ali comentando baixinho o que ouviram. A cortina baixa.)





As Máquinas de morte de Hitler

4 03 2008

MIRANDA, Celso. Auschwitz, por dentro da fábrica de matar. Super Interessante, São Paulo, set. de 2007. p.62-72 .

As Máquinas de morte de Hitler*

O autor da matéria de capa da Super Interessante de setembro é o jornalista Celso Miranda. Celso trabalhou no Notícias Populares, Folha de São Paulo e Gazeta Mercantil. A matéria ainda tem como designer com renome na internet Raphael Erichsen e na edição o esquerdista e sub-editor da revista Oscas (revista popular patrocinada por sem-tetos) Sérgio Gwercman. Um fato a ressaltar é que a revista do grupo Abril considera os dois como co-autores da matéria, pelo fato da evidência estética e semiótica nas páginas da revista.

“Auschwitz, por dentro da máquina de matar” não aborda simplesmente esse único campo de concentração, apesar de ter sido o maior e, consequentemente, o mais conhecido, mas mostra aos leitores toda a logística nazista para o extermínio em massa. O número mais conhecido é o de 6 milhões de judeus mortos no holocausto, porém o número de mortos em conseqüência da Segunda Guerra Mundial é de 53 milhões de pessoas, envolvendo soldados e civis.

As vítimas dos campos de concentração não eram apenas judeus, e esse é um dos motivos pelos quais os campos de concentração se tornaram campos de extermínio. Ciganos, testemunhas de Jeová, deficientes físicos e mentais, comunistas, prisioneiros de guerra eram mandados para os campos concentração. Com a ofensiva do Reich aos soviéticos, o número de prisioneiros foi se transformando em uma dificuldade, pois antes os campos usados simplesmente para trabalhos forçados.

Com o aumento de prisioneiros de guerra foi-se tornando cada vez mais difícil manter todos os prisioneiros. Então, foi a partir desse imprevisto aumento de prisioneiros que os nazistas decidiram a adotar a política de eliminar aqueles que não serviam para os trabalhos forçados nos campos. Fazia-se, assim, cada vez mais necessário montar uma estratégia que matasse de forma rápida e eficiente. De acordo com Heinrich Himler, o temível capitão da SS e da Gestapo, ao assistir um fuzilamento declarou que era “enorme [o] esforço para fuzilar apenas 100 pessoas”.

A aversão ao extermínio em massa através dos fuzilamentos também foi expressa por Hudolf Hoss, comandante supremo de Auschwitz, em seu diário, escrito na prisão dias antes de ser executado: “Essa história do gás me tranqüilizou. Sempre tive horror das execuções com pelotões de fuzilamento. Fiquei aliviado ao pensar que seríamos poupados daqueles banhos de sangue”. Com todas essas dificuldades, as experiências com Zyklon B (o gás tóxico) foram aprovadas pela cúpula nazista.

Dessa forma deu-se início à campanha de extermínio dos judeus e os demais “impuros” e “inúteis”, o holocausto nazista. No auge da guerra foram mortos, em campos de concentração, 3,6 milhões de pessoas em apenas um ano e dois meses. Em Auschwitz a capacidade máxima de prisioneiros foi 100 mil e diariamente chegavam trens lotados de mais prisioneiros dos frontes de batalha e dos territórios dominados. Durante toda a guerra o maior campo de concentração nazista, que ficava na Polônia, exterminou 1,1 milhão de prisioneiros nazistas.

A matéria vem mostrar que a eficiência no extermínio vai além dos preceitos ideológicos. Toda a logística arquitetada pelos nazistas vem da necessidade de eliminar opositores e prisioneiros que se faziam numerosos em demasia com o decorrer da guerra, em especial com as vitórias e conquistas. Afirma ainda que as câmaras de gás não foram somente um meio de eliminar os ditos “impuros” e “inúteis” que prejudicariam a, suposta, raça ariana, mas também uma máquina de guerra.

O que se deve observar, aliás, o que se questiona até hoje, é que mesmo com a eminente ameaça de guerra com Hitler no comando da Alemanha, a Europa preferiu virar as costas para o discurso Nazista e seu poder de influência no povo alemão. Os países europeus omitiram-se às evidências claras de guerra do regime autoritário, discriminatório e militarizado instaurado em uma Alemanha derrotada e humilhada pela Primeira Guerra Mundial.

Outro ponto a ser discutido (que, de certa forma se relaciona com o primeiro) é o de que durante esse momento nefasto da história, o próprio mundo não tomou conhecimento, ou fez questão de não saber da política de matança de Adolf Hitler pra legitimar o chamado espaço vital (lebensraum).

Um grande exemplo histórico de desconhecimento do que se passava nos territórios anexados ao Reich é o filme de Charles Chaplin, O Grande Ditador (The Great Dictator), onde o gênio americano do humor interpreta Hynkel, uma caricatura do füher alemão. Ao ser questionado sobre as atrocidades de Hitler Chaplin lamenta-se e declara que não teria feito o filme se tivesse conhecimento do que acontecia nos campos de concentração. Outro fato que perpetua até hoje é a ausência, ou quase total esquecimento, dos campos de concentração nos livros didáticos de história. Os livros comentam e evidenciam a ideologia nazi-fascista e até a Segunda Guerra Mundial, mas os campos de concentração passam quase que despercebidos. Assim, em enciclopédias e livros sobre o tema são raros, ao menos aqui no Brasil.

É necessário mostrar, estudar e investigar, ainda hoje, toda a ideologia Nazi-fascista e seus atos, para que jamais na história se repita fatos como esses. Os jovens devem tomar consciência da manipulação que os nazistas fizeram com sua juventude para que saibam os perigos do fanatismo e idolatria, seja a quem for. Assim fala o filósofo Victor Frankl: “Fiquemos alertas desde Auschwitz nós sabemos do que o homem é capaz. Desde Hiroshima nós sabemos o que está em jogo”.

Referências:

BARTOLETTI, Susan C. Juventude Hitlerista. 1. ed. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2006.

SZKLARZ, Eduardo. Nazismo. Super Interessante, São Paulo, jul. de 2005. p.36-45 .
* Resenha apresentada no segundo período de Jornalismo




Fidel como Herói

1 03 2008
Fidel Castro volta as capas de jornais após sua renúncia ao cargo de Presidente de Cuba, no dia 19 de fevereiro. Com 81 anos e a saúde muito debilitada o líder cubano, após 49 anos no poder, dá lugar a seu irmão Raul Castro.

Não existe maneira de falar na história da América Latina sem mencionar Fidel, mais difícil ainda se torna explanar sobre o comunismo e o socialismo sem evidenciar a memória do revolucionário da ilha caribenha. Fidel Alejandro Castro Ruz será sempre uma figura marcante na história mundial, como líder político ou ditador, e um personagem reverenciado pelos esquerdistas de todo o mundo.

Fidel deveria ser muito mais homenageado e enfatizado pelos comunistas de toda a América do que Ernesto Che Guevara. Che morreu no auge da revolução do proletariado e implantação do modelo comunista, ou como alguns preferem socialista. O cubano é, na verdade, o principal herói da esquerda mundial. Em pleno século XXI Cuba é a única nação que segue os moldes mais tradicionais da ideologia de Estado Marxista. “É preciso preservar as conquista da revolução”, assim mantinha seu regime duramente, resistindo a todas as dificuldades.

O presidente cubano resistiu a queda da URSS (União das Repúblicas Socialista Soviéticas), as sanções econômicas e pressões dos presidentes americanos como mesmo narrou: “Nosso povo heróico tem lutado 44 anos [2003] desde uma pequena ilha do Caribe à poucas milhas da mais poderosa potência imperial que tem conhecimento a humanidade. Com ele tem escrito uma página sem precedentes na história. Nunca o mundo viu tão desigual luta”.

Fidel Castro é um exemplo para os camaradas de esquerda, mas não somente, é, também, um exemplo a todos de fidelidade ideológica. O Castrismo trouxe a ilha de Cuba melhoria na educação e na saúde, além da planificação da economia, que traz a igualdade social. É evidente que os cubanos passam por grandes dificuldades, a maior delas é a escassez de alimentos e os racionamentos. Outro grande problema do regime de Fidel são aqueles que tentam diariamente desertar dos ideais e da pátria e suas respectivas penas.

Não penso mais de forma radical, nem professo mais as idéias do comunismo, porém vejo nos esquerdistas uma veneração grandiosa ao mártir Che Guevara, só que ao mesmo tempo um esquecimento daquele que ainda hoje é símbolo dos ideais marxistas, em um mundo capitalista e globalizado.

“A história me absolverá”, frase celebre do então advogado Fidel Castro ainda ressoa por Cuba e por toda a América Latina. Está na hora de reconhecer, apesar de muitas falhas, a importante liderança de Fidel Castro e não deixarmos que se perpetue nos livros escolares a imagem de um criminoso, como outro qualquer. Castro deverá ser lembrada pelos esquerdistas como “o último dos moicanos” e Cuba como a nação que perseverou no ideal comunista. Caberá agora a Raul Castro implantar as medidas necessárias para preparar a sociedade e a economia cubana para a gradual abertura de mercado e, quem sabe, a verdadeira democratização.








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