O apagão, a crise e uma grave falha

12 11 2009

Agora (quando inicio a redigir isto aqui) são 22 horas e 13 minutos, horário brasileiro de verão, e há exatamente 24 horas grande parte do país se encontrava em completa escuridão. No dia 10 de novembro, a Usina Hidroelétrica de Itaipu deixou de fornecer energia para 18 estados da federação por longas horas. Até o momento, muitas especulações e versões sobre o que pode ter acontecido circulam nos meios de comunicação, mas nada comprovadamente real.

A falha causou muitos prejuízos e transtornos para milhões de pessoas e indústrias, mas a grande crise sobrou para o governo. Na noite de ontem, em pleno caos, o presidente Lula já era tido como o responsável pelo apagão. O grande culpado. Hoje, no twitter e nos e-mails chovem vídeos e notícias com as declarações do presidente e de Dilma Rousseff garantindo que não haveria apagão.

É evidente que o Governo Federal, através do Ministério de Minas e Energia, deve responder à população sobre o acidente. Afinal, a gerência da usina é responsabilidade brasileira, mas não só nossa. O Paraguai também tem responsabilidade sobre Itaipu e deve ser cobrado por isso. Mas observando um pouco além do campo político (e porque não dizer eleitoral), pode-se observar uma grande falha no sistema de abastecimento energético brasileiro.

Mesmo Itaipu sendo a segunda maior hidroelétrica do mundo, ela não deveria fornecer a energia elétrica para as três principais regiões metropolitanas do país: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Essas três regiões que mais produzem riqueza no Brasil arcaram com enormes prejuízos na noite de ontem.

O problema em Itaipu deflagra muito mais do que a insuficiência no fornecimento de energia, mas vulnerabilidade do nosso país. Caso o Brasil entre em um conflito bélico, onde você acha que seria o primeiro bombardeio, meu caro leitor? Em Itaipu! Cortaria a energia das maiores cidades de uma única vez e ainda levaria o Paraguai de brinde!

O que deve ser estudado é a logística no fornecimento de energia. Além de garantir mais qualidade no fornecimento, o governo deveria se preocupar com esta questão estratégica. Para a sobrevivência da economia.





Voltar sempre é bom

10 11 2009

Sempre é muito bom voltar para aquilo que você gosta de fazer. Este blog, para mim, é isso: um gosto, um prazer. Escrever sempre foi e sempre vai ser um constante exercício, praticado com gosto!

Mas o leitor deve estar se perguntando, por onde andou esse rapaz? Pensou em desistir do blog? Deu um tempo pra cabeça e parou de escrever? Nenhuma das duas opções. O autor deste espaço democráticopassou um certo tempo debruçado em uma reportagem para a revista Palavra de Jornalista. A edição sobre moda deve ser impressa até o final do mês. Quem sabe, mais próximo do final deste ano não publico a reportagem por aqui?

Além disso, a universidade me tomou tempo com o gênero opinativo de jornalismo. A crônica da publicação anterior é resultado disso. Mas não só! Meu novo passatempo é o texto caricato. Venho escrevendo uma espécie de coluna diária, nos moldes do sábio macaco Simão. Textos que, por enquanto, vão permanecer em off, afinal ninguém gosta de ser satirizado, não é mesmo?

O mais certo de tudo é que estou de volta e espero contar com a ajuda de todos! Um abraço a todos!





Crônica: O prejuízo de Romeu

6 11 2009

Romeu é um típico solteirão de meia idade: carente. Já teve uma dezena de noivas e um incontável número de namoradas. “Ainda não apareceu minha Julieta”, comenta com certa timidez. Sem filhos, sem esposa, ou qualquer outra companhia, Romeu dedica seu tempo de folga para sua coleção de selos. Na quitinete, os selos mais importantes são emoldurados e pendurados na parede, disputam lugar apenas com o quadro do Vasco campeão estadual de 1992. Nos álbuns? Lá também estão os selos.

Romeu só deixa a coleção de lado nos finais de semana em que marca algum encontro. Coloca o perfume mais forte que tem e veste o modelito de conquista: camisa estampada, calça jeans bem justa e sapatos de bicos finos.

Seu novo amor é Rita. Uma morena que conheceu pelo Orkut, ferramenta usada por Romeu com essa única finalidade, a de conquistar mulheres. Romeu e Rita já foram ao cinema, restaurante, motel e até na quitinete dele. Com o bom andar da carruagem, o status de relacionamento no site já está atualizado como “namorando”. Um álbum especialmente para a foto dos dois pombinhos.

Depois de duas semanas de relacionamento, Rita mudou-se para a quitinete. Mesmo parecendo impossível viverem duas pessoas no apartamento de Romeu, o fato é que conseguiram.

O namoro durou três meses. Depois de uma briga, Rita voltou para a casa dos pais sexagenários. Mas o ódio foi tanto que a briga foi parar na Justiça! A mulher, que não tinha nenhum imóvel ou coisa de valor, se sentiu prejudicada, pois dividiu as contas com Romeu. Rita queria o divórcio, a divisão dos bens e uma pensão!

Marcado o julgamento, Romeu e Rita se reencontraram no Fórum. O juiz de muito mau humor pela pilha de processos decidiu resolver logo a questão:

- Senhorita Rita! O senhor Romeu não possui nenhum bem móvel ou imóvel para a partilha de bens. Além disso, com um salário de pouco mais de 500 reais, a senhorita espera receber quanto?

Encolerizado, Romeu retruca aos comentários do juiz, – Saiba o senhor, que eu possuo uma coleção de selos raros! Uma fortuna! Meu maior bem!

Depois do ataque de raiva de Romeu, a sentença saiu. Romeu, que não tinha quase nada, foi obrigado a repartir sua coleção de selos com Rita. Desde o julgamento, Romeu desistiu de procurar sua Julieta, parou de colecionar selos e, aconselhado por um amigo, começou a guardar papéis de bala, afinal é mais barato que selo e o prejuízo bem menor





Cuecão vermelho, mano! Suplicy e a brincadeira de Sabrina Sato do Panico

21 10 2009

Depois da polêmica de Clodovil Hernandes e Carolina Dieckman com as sandálias da humildade, do sucesso de Zina e seu “Ronaldo!” e outros casos de muita polêmica, a bola da vez do programa Pânico é a cueca vermelha de Eduardo Suplicy. O senador mais simpático e receptivo com os programas de humor de toda a república está em apuros. Suplicy pode ser julgado pela Comissão de Ética e Decoro Parlamentar por desrespeito à casa. Francamente…

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Como se nos últimos meses, o Senado merecesse algum respeito. Sob denúncias, escândalos, xingamentos e impunidade a casa se mantém. A atitude de abrir processo contra Suplicy mostra a falta de compromisso com as questões que realmente interfiram na realidade do povo. Com uma oposição deslocada e impotente contra a popularidade de Lula, restou-lhes o ataque contra figuras emblemáticos do Partido dos Trabalhadores.

É importante destacar, que o senador Eduardo Suplicy tem uma grande história no Senado Federal. Um parlamentar ativo, representante e sempre muito irreverente. Quem não lembra da vez em que declamou a música dos Racionais MCs? (Assista no You Tube) Ou do cartão vermelho para José Sarney? (Veja aqui) Isso sem falar nas diversas participações em programas de humor como o próprio Pânico e o CQC.

Enquanto alguns senadores e a mídia perdem tempo “combatendo” a sátira e o bom humor, grandes questões nacionais ficam condenadas ao segundo plano.





Violência bate a sua porta

19 10 2009

Tentativa de assalto em velório, na Nova Brasília

Jovem é assassinado no domingo a tarde, no meio da rua, em Cordeiros

Professor universitário é sequestrado e assaltado por dois menores de idade

Detenta grávida foge do Hospital Marieta

Caminhoneiro é sequestrado em frente ao Porto e tem mercadorias roubadas

Basta sentar na mesa para almoçar e sentir medo. Nos últimos dias, venho comendo acompanhado de diversas notícias de violência. E não adianta colocar a culpa na mídia que explora a violência, não! A cidade de Itajaí está cada dia mais perigosa e o sentimento de risco tomou conta dos moradores.

Esses fatos tem uma conexão: a má administração das políticas públicas na área da segurança. Em uma cidade do tamanho de Itajaí não é possível aceitar que a construção do presídio fique tanto tempo parada, que o Centro de Internamento Provisório seja entregue em condições tão precários. Que Itajaí tenha um efetivo tão reduzido de Policiais Militares e Civis. Enquanto as autoridades brincarem de polícia e ladrão, Itajaí padece por violência.





É uma festa portuguesa, com certeza?

14 10 2009

Com certeza não! Com shows de pagode, sertanejo, apresentações gauchescas, a Marejada não é, nem de longe, uma festa de tradições açorianas. Justiça seja feita, há muito tempo nossa festa não honra o nome e os costumes. Outro fator depreciativo aos valores culturais é a praça de alimentação. O que mais se vê são pizzas, coxinhas e pastéis. Claro, os docinhos portugueses, casquinhas de siri, camarões e sardinha na brasa também estão por ali.

Mesmo com a desvalorização cultural de todos os anos, a Marejada 2009 tem seus pontos positivos. A imprensa itajaiense e o artesanato local foram valorizados. Enquanto a administração anterior vivia as turras com os profissionais de comunicação, Jandir parece ter aprendido a lição do barbudinho turrão. Além disso, o Centro de Eventos ItajaíTur está muito bem decorado e, pela primeira vez, concluído.

Apesar do grande fluxo de pessoas, a falta de opções faz com que os visitantes permaneçam por pouco tempo no pátio da Marejada. Ainda não se viu lotado o Centro de Eventos neste ano, mesmo com o show do grupo Pixote. A esperança da Secretaria de Turismo são as apresentações do Exaltasamba, Tche Garotos e a dupla Fernando e Sorocaba.





Enchente Santa Catarina

29 09 2009

Alô internautas visitantes,
sou morador de Itajaí (uma das cidades mais atingidas na enchente de novembro de 2008) em Santa Catarina. Mesmo sem chover, as águas continuam a subir nos bairros periféricos da cidade. Estarei atualizando meu Twitter com a tag #chuvasemsc com todas as atualizações. Quem não tem conta do twitter e não quer fazer, pode acompanhar  na coluna da direita em Escrevi no Twitter. Informações maiores e mais completas serão publicadas aqui no blog.

Acesse: www.twitter.com/thiagoleroh

Sobre a enchente de 2008, clique aqui.





RBS e a Dívida com Santa Catarina

29 09 2009

O último domingo de setembro (27) deste ano foi marcado por muita chuva. No mesmo ritmo, seguiu a segunda-feira na região do Vale do Itajaí. Quase por completar um ano, a enchente volta a ser assunto na cidade de Itajaí. Não é por menos, o trauma é grande e muitos associam as catástrofes de 1983 e 1984 com a enchente do ano passado e as chuvas deste ano. Como grandes profetas da desgraça aparecem os meios de comunicação. Em especial, a RBS com boletins ao vivo durante toda a tarde de hoje.

Logo a RBS que praticamente ignorou, juntamente com a Rede Globo, os primeiros dias da grande tragédia em Santa Catarina, lembram? A Ric/Record e até a Tv Brasil Esperança deram um banho de cobertura nas irmãs Globo e RBS, no ano passado. Enquanto Paulo Henrique Amorim cruzava com a destruição no morro do Baú, Ilhota, Wilian Bonner estava engravatadinho em Blumenau.

Com essa situação, a RBS deixou a mostra seu principal defeito, a centralização na cidade de Blumenau. Record e outras emissoras pequenas deram um banho de jornalismo colaborativo e prestação de serviço à comunidade. Além dos dias de atraso na cobertura, arrecadou uma dívida moral com a comunidade catarinense. A emissora falhou na cobertura do fato mais marcante do todo o ano de 2008.

Agora, em 2009, a cada sinal de um novo desastre a afiliada da Rede Globo sai na frente de todas as outras emissoras para cobrir os desastres. A RBS quer, afinal, pagar sua dívida moral com Santa Catarina e mostrar a todo o país o que acontece no Sul, que também faz parte desse país enorme.





Manifesto Internet: Como o Jornalismo Funciona Hoje

21 09 2009

1. A Internet é diferente.

Ela produz diferentes esferas de público, diferentes termos de troca e diferentes competências culturais. Os media têm de adaptar os seus métodos de trabalho à realidade tecnológica atual, em vez de a ignorarem ou desafiarem. É o seu dever desenvolverem a melhor forma possível de jornalismo, com base na tecnologia disponível. Isto inclui novos produtos e métodos jornalísticos.

2. A Internet é um império dos media tamanho de bolso.

A Internet reorganiza as estruturas dos media já existentes ao transcender os seus limites anteriores e oligopólios. A publicação e disseminação dos conteúdos já não estão ligadas a investimentos avultados. A própria concepção do jornalismo está, felizmente, a ser esvaziada da sua função de guardiã. Tudo o que resta é a qualidade jornalística através da qual o jornalismo em si se distingue da mera publicação.

3. A Internet é a nossa sociedade é a Internet.

As plataformas com base na Web, como as redes sociais, Wikipedia ou o Youtube tornaram-se parte da vida diária para a maioria das pessoas no mundo ocidental. São tão acessíveis como o telefone ou a televisão. Se as empresas de comunicação social querem continuar a existir, têm de perceber a vida e o mundo dos utilizadores de hoje e têm de se render às suas formas de comunicação. Isto inclui formas básicas da comunicação social: ouvir e responder, também conhecido por diálogo.

4. A liberdade da Internet é inviolável.

A arquitetura aberta da Internet constitui a lei básica das Tecnologias da Informação, de uma sociedade que comunica de forma digital e, consequentemente, do jornalismo. Pode não ser alterada em nome da protecção especial de interesses comerciais ou políticos, muitas vezes escondidos sob a falsa pretensão do interesse público. Independentemente da forma como se faz, bloquear o acesso à Internet ameaça a livre circulação de informação e corrompe o nosso direito fundamental a um nível autodeterminado de informação.

5. A Internet é a vitória da informação.

Devido a tecnologia inadequada, as empresas de comunicação social, os centros de investigação, as instituições públicas e outras organizações compilavam e classificavam, até agora, a informação mundial. Hoje, qualquer cidadão pode definir o seu próprio filtro noticioso, enquanto os motores de busca mergulham em tesouros de informação de uma magnitude nunca antes conhecida. Os indivíduos podem agora informar-se melhor do que nunca.

6. A Internet muda melhora o jornalismo.

Através da Internet, o jornalismo pode cumprir o seu papel socioeducativo de uma nova forma. Isto inclui a apresentação de informação como algo em constante mudança, num processo contínuo; o preço da inalterabilidade dos media impressos é um benefício. Aqueles que querem sobreviver neste novo mundo da informação precisam de um novo idealismo, novas ideias jornalísticas e de um sentido de prazer na exploração deste novo potencial.

7. A Internet requer gestão de ligações.

Ligações são conexões. Conhecemo-nos uns aos outros por ligações. Aqueles que não os utilizam excluem-se do discurso social. Isto também é válido para os sítios Web das empresas de comunicação social tradicionais.

8. Ligações recompensam, citações enfeitam.

Os motores de busca e os agregadores facilitam o jornalismo de qualidade: impulsionam a descoberta de conteúdos notáveis a longo prazo e são também parte integrante da nova, interligada esfera pública. As referências através de ligações e citações – incluindo especialmente as que são feitas sem qualquer autorização ou mesmo remuneração da autoria – possibilitam, em primeiro lugar, a própria cultura do discurso social em rede. São merecedores, por todos os meios, de protecção.

9. A Internet é um novo palco para o discurso político.

A Democracia prospera com a participação e a liberdade de informação. Transferir a discussão política dos meios tradicionais para a Internet e alargar este debate, pelo envolvimento da participação ativa do público, é uma das novas tarefas do jornalismo.

10. Hoje, liberdade de imprensa significa liberdade de opinião.

O Art. 5º da Constituição alemã não contempla direitos protetores para profissões ou modelos de negócio tecnicamente tradicionais. A Internet ultrapassa as barreiras tecnológicas entre o amador e o profissional. É por isto que o privilégio da liberdade de imprensa se deve aplicar a todos os que possam contribuir para a concretização das tarefas jornalísticas. Em termos qualitativos, não deve ser feita distinção entre jornalismo pago e não pago, mas sim entre bom e mau jornalismo.

11. Mais é mais – não existe algo como demasiada informação.

Era uma vez, instituições como a Igreja davam prioridade ao poder sobre o conhecimento individual e avisaram que iria surgir um fluxo de informação transbordante quando foi inventada a imprensa. Por outro lado existiam os panfletários, enciclopedistas e jornalistas que provavam como mais informação leva a mais liberdade, ambas para o indivíduo como para a sociedade enquanto um todo. Até aos dias de hoje, nada mudou a este respeito.

12. A Tradição não é um modelo de negócio.

Pode-se ganhar dinheiro na Internet com conteúdos jornalísticos. Já existem muitos exemplos destes, hoje. Mas, porque a Internet é selvaticamente competitiva, os modelos de negócio têm de ser adaptados à estrutura da Net. Ninguém deve tentar esquivar-se desta adaptação essencial através da criação de políticas para preservar o status quo. O jornalismo precisa de concorrência livre para as melhores soluções de refinanciamento na Internet, a par de coragem para investir numa implementação multifacetada destas soluções.

13. Os direitos de autor tornam-se um dever cívico na Internet.

Os direitos de autor são o fundamento da organização da informação na Internet. Os direitos do autor sobre o tipo e espectro de disseminação dos conteúdos são também válidos para a Net. Ao mesmo tempo, os direitos de autor não podem ser utilizados de forma abusiva enquanto alavanca para salvaguardar mecanismos de distribuição obsoletos e para excluir novos modelos de distribuição ou esquemas de licenciamento. A propriedade implica obrigações.

14. A Internet tem muitas moedas.

Os serviços jornalísticos online financiados através de publicidade oferecem conteúdo em troca de um efeito de atenção. O tempo de um leitor, telespectador ou ouvinte é valioso. Na indústria do jornalismo esta correlação foi sempre um dos princípios fundamentais do financiamento. Outras formas de refinanciar, jornalisticamente justificáveis, têm de ser criadas e testadas.

15. O que está na Net fica na Net.

A Internet está a elevar o jornalismo para um novo nível qualitativo. Online, texto, som e imagens não têm mais de ser temporários. Permanecem acessíveis, ao mesmo tempo que constroem um arquivo da história contemporânea. O jornalismo tem de ter em conta o desenvolvimento da informação, a sua interpretação e os seus erros, isto é, tem de admitir os seus erros e corrigi-los de forma transparente.

16. A qualidade permanece a mais importante das qualidades.

A Internet exibe grandes quantidades de conteúdos homogêneos. Só aqueles que se destacam, que são credíveis e excepcionais, vão ganhar seguidores constantes a longo prazo. As exigências dos utilizadores aumentaram. O jornalismo tem de as satisfazer e continuar a seguir os seus próprios princípios frequentemente formulados.

17. Tudo para todos.

A Internet constitui uma infraestrutura para uma mudança social, superior à dos meios de comunicação de massa do Séc.XX: Quando tem uma dúvida, a “geração Wikipedia” é capaz de dar valor à credibilidade de uma fonte, é capaz de seguir a notícia até à sua fonte original, pesquisá-la, verificá-la e avaliá-la – sozinha ou como parte de um esforço conjunto. Os jornalistas que ignoram isto e que não querem respeitar estas competências não são levados a sério por estes utilizadores da Internet. E com razão. A Internet possibilita a comunicação direta com aqueles que eram conhecidos como receptores – leitores, ouvintes e espectadores – e permite tirar partido dos seus conhecimentos. Não são os jornalistas que sabem tudo que são procurados, mas sim aqueles que comunicam e investigam.

Versão original retirada deste link.





Luis Nassif fala da Revolução provocada pela Internet

18 09 2009

No palco do Teatro Adelaide Konder, o jornalista Luis Nassif apresentou a revolução contra os grandes meios de comunicação puxada pela internet e a blogosfera. ”Com a internet você tem uma virada completa. Ficou fácil entrar e competir com os jornais, se você sabe fazer jornalismo”. A palestra da noite de hoje, faz parte da Semana da Comunicação na Universidade do Vale do Itajaí (Univali).

Nassif iniciou discorrendo sobre o papel dos grandes meios de comunicação, como verdadeiros mediadores entre os três poderes e a sociedade. “Esse modelo jornalístico criou o triângulo de poder em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. (…) a opinião pública se concentra em 3 ou 4 veículos (…) isso limita a discussão aprofundada”. Para o jornalista, os blogs jornalísticos estão transformando essa concentração midiática em fumaça.

Como vencedor do prêmio Ibest de melhor blog de Política, Luis Nassif não deixou de falar sobre o assunto. O blogueiro desferiu críticas à política brasileira, movida por interesses individuais: ”No Brasil, nós não temos partidos políticos, temos aglomerados”. E sobre a primeira eleição brasileira na internet 2.0, Nassif foi enfático e declarou que “essa próxima campanha vai ser uma guerra, vem uma guerra suja”.

Surpreendentemente, o palestrante Luis Nassif, formado em Jornalismo pela ECA-USP, também declarou: “Nunca gostei de cursar Jornalismo, cursei pela obrigatoriedade do diploma”; e mais: “o curso não serviu para nada, aprendi muito mais em 6 meses no jornal”. Mesmo assim, Nassif declarou ser importante os cursos de comunicação hoje e que eles serão ainda mais importantes se adequarem os estudos para as possibilidades da inernet.